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Como investir em Treinamento e Desenvolvimento para o RH 4.0

Como investir em Treinamento e Desenvolvimento para o RH 4.0

9 de março de 2018 por Eric Daniel Prando

Trate seus clientes como reis, e trate seus colaboradores como clientes.

Em uma palestra recente, Yuval Harari, o autor de “Sapiens” e “Homo Deus”, descreveu sua visão para o futuro, quando algoritmos serão responsáveis pela maioria das análises e o ser humano terá um poder extra derivado da integração de seus sentidos à pletora de dados coletados e organizados por computadores.  Neste futuro, os detentores da informação se tornariam a classe dominante, assim como os detentores de terra e do capital o foram durante as eras feudais e industriais. A informação determinaria os rumos da humanidade e colocariam o indivíduo em uma condição passiva, sendo capaz até de conhecer os indivíduos melhor que eles mesmos.

Se este cenário parece distante, não é desconhecido que o valor econômico já se deslocou para informação, sendo possível notar a economia em um ritmo de mudança cada vez mais acelerado por causa disso. Um exemplo bastante emblemático desta velocidade da mudança, as habilidades de um engenheiro de sistemas precisam ser completamente atualizadas a cada 18 meses, ou seja, uma das atividades mais modernas do mercado de trabalho é também uma das mais voláteis. Como uma empresa pode lidar de maneira efetiva com seu capital humano em um cenário como esses?

Segundo o GlassDoor, empresa que adquiriu a LoveMondays e lida com employer branding, os maiores pontos de diferenciação de uma empresa na visão dos millenials são as capacidades de aprendizado e progressão de carreira oferecidas. Isto significa que os profissionais desta geração exigem uma trilha de desenvolvimento e evolução de carreira clara e transparente e também que criar uma jornada de desenvolvimento se torna cada vez mais estratégico para uma organização.

Olhando para o mercado, tanto do ponto de vista dos consumidores quanto do ponto de vista dos trabalhadores, fica claro que empresas que não se adaptarem a esta nova realidade serão rapidamente sobrepujadas. Sendo assim, vamos listar algumas dicas sobre como otimizar essa atividade e se destacar.

 

O aprendizado corporativo da nova era

Segundo estudo da Deloitte sobre as regras do aprendizado corporativo, o novo modelo de carreiras pressupõe um maior grau de liberdade de escolhas, onde colaboradores se preparam para uma diversidade de carreiras, aprendendo tudo aquilo que julgarem importante sem ter um caminho pré-definido para seguir. É cada vez mais difícil projetar uma carreira no longo prazo, por isso as empresas deveriam se preocupar com o fornecimento de uma ampla gama de conhecimentos para seus colaboradores. O importante apenas é fazer uma curadoria que garanta o alinhamento desses conhecimentos aos objetivos estratégicos da empresa.

O aprendizado também deve ser contínuo e apresentado em diferentes formatos e modalidades. Formatos presenciais, on-line, de longo prazo ou em micro learning, estruturados ou apenas em conteúdo para leitura, com a possibilidade de interação com grupos ou não, devem todos ser oferecidos para se maximizar a capacidade de aprendizado dos colaboradores.

Outro ponto importante é ressaltar a importância de se colocar a capacitação dos funcionários como pré-requisito à movimentação de carreira. Profissionais podem ser treinados para ocupar diferentes posições na companhia, aprendendo sobre diferentes facetas das atividades da empresa antes de ocupar posições mais altas da hierarquia.

Colocando toda essa variedade e complexidade em uma mesma base, o processo de treinamento e desenvolvimento deverá ser mensurado. As melhores experiências deverão ser identificadas para que a empresa comece a criar sua própria bagagem sobre quais conteúdos e metodologias de aprendizado são mais eficazes para sua cultura.

E por mais que a empresa seja excelente em todos esses passos, identificar e adaptar conteúdos e metodologias a uma cultura não adiantará muito caso não se desenvolva uma cultura de aprendizado dentro da empresa. O reconhecimento de ações, a premiação de realizações e o estabelecimento de objetivos de maneira a estimular a troca e reforçar a excelência operacional conjunta podem ser todos colocados em prática, desde que se respeite as máximas de comportamento e os valores já existentes.

 

Construindo um plano de treinamento e desenvolvimento

Duas boas maneiras de se começar a pensar sobre aprendizado seriam (i) identificar quais habilidades são necessárias para que a empresa desempenhe suas atividades no momento atual; e (ii) identificar quais competências e habilidades a empresa deverá internalizar para atingir seus objetivos de longo prazo. Com base nestas necessidades, a empresa consegue fazer uma avaliação de seu estoque de capital humano, pode tomar decisões e construir planos.

Por mais importante que seja possuir um direcionamento de longo prazo, este tipo de planejamento perderá acurácia conforme aumenta a velocidade de mudança econômica, motivo pelo qual devem ser priorizadas as ações em um horizonte não muito extenso. Empresas deveriam se abster de investir em cursos com duração de mais de dois anos e deveriam focar seus esforços em horizontes de um semestre a um ano, renovando sua análise neste mesmo prazo para validar extensões ou revisar direcionamentos.

A cada passo realizado, a empresa também se beneficia de realizar uma nova mensuração de seu estoque de capital humano, extraindo valiosas informações a respeito da sua capacidade de evolução, sobre o perfil de seus colaboradores e sobre seus parceiros educadores. Com dados bem mapeados, o processo consegue evoluir e se refinar com uma grande velocidade.

Finalmente, a empresa deverá ser capaz de medir o resultado deste investimento, com algumas poucas métricas financeiras não muito complexas, sendo muito importante a consideração estratégica da ampliação das possibilidades, motivo pelo qual recomendamos também a utilização de métricas de opções reais, que permitirão a visão sobre ganhos potenciais da empresa.

Empresas precisarão criar uma cultura forte de aprendizado para se manterem competitivas e preparadas para mudanças. Existem várias maneiras de se buscar a construção desta cultura e o esforço é completamente válido. Cabe a avaliação cuidadosa de qual modelo adotar, mas independente disso, a base do trabalho é a identificação de necessidades e do ponto de partida da empresa. Todas as empresas deveriam ter no aprendizado uma estratégia essencial para conduzir o negócio ao sucesso e à sustentabilidade de longo prazo, criando planos estruturados para viabilizar a aplicação das novas capacidades aos processos corporativos. A frase já pode estar batida mas as pessoas são a base de qualquer negócio e devem ser tradadas como os ativos mais importantes.

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Busque o Ikigai pela sua carreira e pelo mundo

Busque o Ikigai pela sua carreira e pelo mundo

16 de fevereiro de 2018 por Equipe YggBoard

O que faz você ser alguém diferenciado? Quais habilidades fazem você ser alguém especial? Afinal, quais características o tornam um profissional reconhecidamente qualificado e admirado?

Essas reflexões traduzem o objetivo do teste vocacional mais eficaz dentre todos: a reflexão sincera e profunda que gera o autoconhecimento.

Na cultura milenar japonesa há um conceito revelador sobre o autoconhecimento e o encontro verdadeiro com as aptidões, capaz de transformar um profissional medíocre num quadro imprescindível a uma equipe ou empresa.

Este conceito chama-se Ikigai. Significa a razão de ser. Através do Ikigai podemos detectar e compreender com clareza nossos sonhos e desejos no âmbito profissional. E uma vez compreendidos esses sonhos e desejos, teremos dado o primeiro passo no caminho para realizá-los.

Na filosofia do Ikigai, todos temos uma missão, uma profissão, uma vocação e uma paixão. E o desafio proposto é encontrar uma ocupação que se manifeste nesses quatro campos. Pois, assim, estaremos diante da circunstância ideal: fazendo o que amamos, sendo remunerados para fazer o que amamos, obtendo o prazer da vitória sobre obstáculos do cotidiano e, finalmente, obtendo satisfação por entregar ao mundo aquilo que ele precisa.

A descoberta do Ikigai passa longe da acomodação. Atuando no piloto-automático, a tendência é tornar-se igual aos outros. E as suas referências não podem ser limitadas à simples comparação com os outros: pelo contrário, a sua principal referência deve ser sempre o seu melhor. A identificação de suas melhores habilidades, e seu consequente aprimoramento, permitirá a você superar obstáculos com mais facilidade. E, numa dinâmica moto-contínua, o prazer obtido com a superação de um problema, impulsionará a busca do mesmo prazer na resolução de outro. E assim sucessivamente.

Ao descobrir o seu Ikigai, a vida ganhará sentido em todas as suas dimensões. E você terá a feliz sensação de estar fazendo aquilo que nasceu para fazer.

Num mundo ideal e utópico, a cada dia nós acordaríamos cheios de energia e prontos para resolver qualquer problema. Nossas ações reverberariam em uníssono com nossos valores e crenças, espalhando uma onda de energia positiva para o mundo. Imagine isso acontecendo coletivamente. Outras pessoas se comportariam da mesma maneira, fazendo pulsar a sensação de unidade e propósito. A humanidade festejaria diariamente esse estado, perenizando um ciclo virtuoso repleto de harmonia.

Agora voltemos à realidade. Enquanto a utopia coletiva manifesta-se apenas na teoria de um mundo ideal, a mudança individual é absolutamente concreta. E possível. Sim, é possível buscar a convergência entre atividades que você ama fazer, as que você faz melhor que a média, aquelas que alguém pagaria você para fazer e aquelas que o mundo precisa. Seja a mudança que você quer ver no mundo.

Tenha a consciência tranquila também de que Ikigai é um conceito economicamente positivo. O mercado é baseado exatamente na premissa de que pessoas tem necessidades, mas podem escolher focar nas atividades que fazem melhor para depois trocar o resultado por outras coisas que também precisam. Fazer aquilo que é bom é o princípio da divisão de tarefas

Busque seu Ikigai, separe alguns momentos para entender quais são as ações e atividades que contribuiriam com você encontrar este local. O mundo tem caminhado por muito tempo em direção à futilidade e ao conformismo, e precisa de pessoas “acordadas”.

Para dar um primeiro passo, você pode começar identificando aquelas atividades que você ama fazer. Com base nisso você consegue filtrar trabalhos que incluam essas atividades. Na sequência vem a parte de superação, já que você precisa ficar muito bom naquilo que gosta, e depois a filosófica, que entra na questão de encontrar uma empresa, ou as vezes até criar uma empresa, que possua uma missão na qual você acredita que o mundo precisa. Não será fácil, mas você poderá descansar com a consciência tranquila de estar fazendo sua parte e vivendo sua vida ao máximo.

 

Sobre os autores

A Equipe YggBoard escreveu este texto em conjunto ao notar como o Ikigai reflete o valores por trás da plataforma. São todos apaixonados por soluções que possam ajudar o mundo a ser um lugar melhor.

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Os limões do mercado de trabalho e o valor do salário

Os limões do mercado de trabalho e o valor do salário

27 de novembro de 2017 por Eric Daniel Prando

George Akerlof ficou conhecido pela sua publicação sobre o problema dos limões, que basicamente explica como a assimetria de informação tem um efeito negativo no mercado. Seu texto gira em torno da noção de que a incerteza com relação à qualidade de um bem tende a fazer com que o preço de mercado desse bem seja mais baixo.

A situação é exemplificada com uma compra de carro usado, onde um comprador leigo pode comprar carros em bom ou em mal estado. Sem conhecimento mecânico suficiente para avaliar quais dos carros estão em bom estado, o comprador acaba atribuindo a todos os carros um valor médio entre o de um carro bom e um ruim e este passa a ser seu limite de preço. Este limite faz com que os vendedores, por sua vez, retirem os melhores carros daquela loja, dado que seu valor é maior que o limite de preço dos clientes. Sem os carros bons, a percepção de valor médio passa a ser menor ainda, forçando o valor dos carros da loja para baixo em um círculo vicioso. A saída óbvia seria conseguir repassar a informação correta sobre a qualidade de cada carro a cada comprador, eliminando a assimetria de informação.

A conclusão do artigo é que a diferença de qualidade de produtos reduz seu preço médio final, o que é válido e explica a grande energia gasta por montadoras e outras empresas em seus processos de garantia de qualidade. Quanto maior a quantidade de defeitos que saem da linha de montagem, menor terá que ser o preço médio cobrado por cada carro.

Se diferenças de nível de informação afetam preços, podemos fazer uma apropriação do conceito para avaliar o nível dos salários no mercado de trabalho, e dizer que a assimetria de informação sobre a capacidade dos trabalhadores reduz os salários médios, pois tendem a uma média com base no desempenho médio e desestimulam a alta produtividade daqueles trabalhadores que sabem render mais que essa média. Temos que fazer um pequeno esforço para considerar o trabalho de pessoas como produtos, mas é exatamente essa relação que existe, sendo que o trabalho é um serviço que as empresas compram com o salário que pagam.

No mercado de trabalho isso funcionaria com o seguinte exemplo: dois profissionais buscam o mesmo trabalho, ambos se formaram na mesma faculdade, um era um aluno dedicado que aprendeu bastante e o outro acabou sendo aprovado sem ter desenvolvido muitas novas habilidades. Obviamente que do ponto de vista do empregador o aluno mais capacitado seria preferível, mas só quem possui essa informação são os próprios profissionais. Caso a empresa contrate o mau aluno, as chances de ele não corresponder às expectativas do cargo são maiores, e isso faria com que a empresa percebesse um valor menor no trabalho deste tipo de profissional e reduzisse o salário ofertado para as próximas contratações dele. Ou seja, aquele seu amigo que sempre te pedia uma ajuda na prova acaba tendo um efeito negativo no seu salário.

O mercado de trabalho possui algumas ferramentas para reduzir a assimetria de informação sobre quais são as reais habilidades de cada candidato a uma vaga de trabalho, como a entrevista de emprego, a análise de currículo e busca de referências. Estas maneiras de se buscar informação sobre profissionais são limitadas e caras, sendo uma das mais baratas para empresas a avaliação educacional do profissional, onde escolas melhores emprestam uma capacidade média maior aos profissionais. Ainda assim, a assimetria é bastante presente, sendo que mesmo profissionais oriundos de escolas prestigiadas apresentam um rendimento bastante variado.

Uma ferramenta capaz de mitigar essa situação são as certificações profissionais, que tendem a nivelar o conhecimento e muitas vezes o grau de esforço daqueles que as possuem, dada a dificuldade e complexidade associadas à sua obtenção. Certificações profissionais padronizam o mercado de trabalho, tem o efeito de reduzir a ocorrência de limões e consequentemente trazem o salário médio dos profissionais para cima.

Dentre as certificações mais prestigiadas estão o CFA, a OAB, CAIA, CFP. Todas essas certificações abordam uma extensa lista de habilidades necessárias a profissões de elevado nível técnico, e por isso acabam sendo muito bem remuneradas no mercado (nos EUA, onde a informação salarial é mais fácil de se obter, um profissional com CFA ganha entre US$ 45 mil e US$ 165 mil anuais). Quanto mais difícil de se obter uma certificação, mais eficiente será o filtro que ela representa e melhor ela será avaliada pelos empregadores, aumentando o impacto sobre o potencial salarial de seus detentores.

Outra certificação vigente é o carimbo de qualidade de instituições respeitadas, onde profissionais que trabalharam em multinacionais ou em empresas de referência em seus setores acabam adquirindo um selo de qualidade por ter conseguido produzir naquele ambiente de alto nível. Da mesma maneira, conseguir uma certificação de uma instituição de ensino respeitada significa ter superado um elevado grau de exigência intelectual, e certificações de instituições menos conhecidas exigirão um esforço maior por parte dos profissionais para provar seu valor.

Do ponto de vista econômico, quanto melhor for a informação disponível sobre as habilidades de um profissional, melhor será o processo de compra de trabalho, com efeitos positivos no nível salarial médio das pessoas. Sendo assim, profissionais de sucesso devem buscar aumentar a disponibilização de informações sobre suas capacidades, através de cursos, certificações e recomendações de outros profissionais, e podem até afirmar que fazer isso ajuda até aos demais profissionais do mercado.

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A tomada de decisão baseada em dados está mudando o trabalho de recursos humanos

A tomada de decisão baseada em dados está mudando o trabalho de recursos humanos

8 de novembro de 2017 por Eric Daniel Prando

Já está se tornando uma cena recorrente: a tecnologia entra em um departamento corporativo, faz reféns de todos os profissionais e obriga uma revisão completa de todos os processos, tendo como grande objetivo se inserir cada vez mais profundamente nas atividades produtivas humanas. A este rol de áreas que são completamente chacoalhadas pelo ingresso de informação e automatização, o futuro próximo guarda um espaço para a área de recursos humanos.

Atualmente a área de recursos humanos é dominada por profissionais de viés humanista, com uma sensibilidade apurada e grande capacidade intuitiva e de relacionamento. Este perfil da área de RH deverá sofrer uma grande mudança, a exemplo do que aconteceu com a área de marketing nos últimos 10 anos.  Ocorrerá a inundação das atividades por uma infinidade de dados que afetarão profundamente a tomada de decisão, e por profissionais de perfil muito mais analítico e quantitativo.

Diversas plataformas e serviços já foram criados para coletar dados sobre o dia a dia e o desempenho dos colaboradores das empresas, algumas dessas já se tornaram grandes empresas como a Success Factors, e outras estão em plena ascensão. Atualmente a grande discussão gira em torno de como utilizar toda essa massa de informações para apoiar a tomada de decisão, no que tem sido chamado de People Analytics.

A tomada de decisão embasada em dados é um movimento sem volta na realidade corporativa. Com o aumento do alcance da tecnologia na captação e tratamento de dados, é possível prever um futuro onde tudo é monitorado e transformado em dados para a geração de dashboards de controle do comportamento de todos os profissionais, com gráficos de propensão ao burn out, demissão ou projeções de desempenho acima da média. Imagine só receber um e-mail automático solicitando que você tire 3 dias de folga para realizar um curso específico de técnicas de liderança, dado que esta foi a conclusão do sistema de gestão de pessoas para maximizar seu desempenho e evitar um possível pedido de demissão. Este futuro não está tão longe.

Dado que a economia é composta basicamente de pessoas, nada mais natural do que a criação de ferramentas que fomentem o aumento da eficiência desses agentes. Quanto melhor analisado o trabalho de cada profissional, melhor será a capacidade da empresa de remunerar a sua produção e de incentivar sua performance, o que tem o efeito de otimizar custos corporativos. Isso significa que empresas que se adaptarem mais rapidamente à realidade de tomada de decisão de recursos humanos com base em dados terão uma grande vantagem competitiva.

A ideia de People analytics nasceu há um bom tempo atrás, quando empresas começaram a criar sistemas de informação sobre seus funcionários. O problema era o grau de complexidade de cada negócio e o custo de se implantar um sistema deste nível de complexidade. Mais recentemente, há cerca de 10 anos atrás, empresas começaram a encontrar uso para toda a informação gerada pelos sistemas de recursos humanos, o Google, por exemplo, começou a utilizar dados para fazer a tomada de decisões de recrutamento e seleção mais assertivas. A ideia do Big Data e a inspiração no filme Moneyball fizeram com que as discussões ganhassem força e hoje já é possível notar o avanço das análises e da capacidade de geração de informação de qualidade dentro das empresas mais avançadas.

As utilidades mais recentes de people analytics levaram empresas a concluir que é possível criar algoritmos preditivos de comportamentos e sua utilização para embasamento de decisões estratégicas e de planejamento. De assuntos como pacotes de remuneração para alta performance a prevenção de fraudes, a informação está revolucionando a gestão de pessoas. A transformação digital pela qual as empresas estão passando será viabilizada ou impedida pela capacidade de seus colaboradores, e por isso a importância de poder contar com ferramentas que apoiem a evolução dos colaboradores é essencial.

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O nascimento do CLO e o futuro da educação no trabalho

O nascimento do CLO e o futuro da educação no trabalho

13 de outubro de 2017 por Eric Daniel Prando

Segundo um artigo da Harvard Business School1, apenas 20% da força de trabalho atual possui as habilidades necessárias para 60% das vagas de trabalho que existirão daqui a 5-10 anos. O que isto significa? Significa que a natureza do trabalho está mudando radicalmente, devido à crescente automatização e criação de demandas ligadas ao emprego da tecnologia nas atividades produtivas. Essa mudança também significa que a carreira de muita gente ficará com a carreira a perigo caso não se enquadre nesta nova realidade. O reflexo disto nas empresas é o aumento da importância das atividades de treinamento e educação para o sucesso de longo prazo dos modelos de negócio.

O aumento da complexidade do sistema econômico cria uma tendência de aumento da complexidade educacional, que está fazendo com que a estrutura tradicional de educação seja revista para acomodar um número crescente de profissões sem um padrão acadêmico definido, como por exemplo aquelas que misturam conhecimentos de finanças, marketing e tecnologia.

Muitos pesquisadores e instituições de ensino já trabalham estudando e criando soluções para esta nova realidade, como é o caso da Singularity University, onde os alunos não recebem títulos após sua formatura e onde os cursos não possuem créditos. Diversas plataforma estão sendo criadas para entregar um conteúdo educacional que esteja alinhado à novas necessidades dos profissionais.

Dentro deste cenário, nasceu um novo tipo de profissional nas empresas, que é a pessoa responsável pela educação e o desenvolvimento dos profissionais. Dentro da nomenclatura americana de nomes executivos, esse profissional se chama Chief Learning Officer, ou CLO. Esse profissional será fundamental para viabilizar a mudança de paradigma dentro de empresas que queiram se manter competitivas nos próximos anos.

Do ponto de vista econômico, o lado da oferta do mercado tem a somatória de tudo aquilo que seus agentes conseguem produzir, e se essa oferta não consegue acompanhar o ritmo de mudança da demanda, a ineficiência da educação e da evolução da produtividade terá um efeito de gargalo ao crescimento econômico. Existem vários agentes envolvidos nesta mudança, mas serão as próprias empresas os agentes responsáveis pela maior parte do esforço.

Em primeiro lugar, esta mudança afetará todos os profissionais, não apenas aqueles que estão sendo formados atualmente. A força de trabalho atual já sabe que precisará continuar estudando e se atualizando. É difícil se supor que todo o contingente profissional retornará para as escolas.

Outro argumento a favor do papel das empresas está no fato de que dificilmente existirão políticas públicas capazes de reciclar profissionais. Como exemplo, temos a questão dos cobradores de ônibus no Brasil, uma profissão completamente ultrapassada em outros países, mas que permanece forte no Brasil dado que o contingente de profissionais não seria facilmente absorvido por outros setores.

Sendo assim, caberá às empresas promoverem a mudança de capacidades de seus funcionários. Este processo deverá ser guiado por profissionais capazes de visualizar os destinos dos mercados em que atuam e de entender as competências necessárias ao sucesso nestes mercados. O papel dos CLOs será de extrema responsabilidade e importância em um futuro não muito distante.

  1. https://hbr.org/2016/09/the-solution-to-the-skills-gap-could-already-be-inside-your-company

 

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Aprenda a ser antifrágil, e também o que isso significa

Aprenda a ser antifrágil, e também o que isso significa

21 de setembro de 2017 por Eric Daniel Prando

Este texto foi publicado originalmente no portal Mundo RH – http://www.mundorh.com.br/como-antifragilidade-pode-ajudar-voce-e-sua-empresa/

 

Uma das leituras mais provocativas dos últimos tempos, o novo livro do Nassim Nicholas Taleb, Antifrágil, é uma viagem sobre um conceito inovador e um manifesto sobre nossa missão de buscar ser antifrágeis na melhor das nossas capacidades.

Virou moda nos círculos econômicos discutir termos como VUCA – Volatility, Uncertainty, Compleity and Ambiguity – e afins, demonstrando o grande aumento da dificuldade de planejamento e de tomada de decisão. O conceito de antifragilidade seria uma grande resposta a este cenário cada vez mais mutante e pode ser aplicado a pessoas e organizações da mesma maneira.
Ser antifrágil significa que você não apenas sai ileso da ação de agentes estressores, mas na verdade se beneficia dessa ação, bem na linha daquele ditado “o que não te mata te faz mais forte”. O livro usa o corpo humano como um grande exemplo de antifragilidade e discorre sobre como devemos reforçar essa característica e não buscar uma vida cheia de rotina e sem aventura. Esta última nos levaria, no longo prazo, a uma incapacidade de lidar com situações aleatórias e inesperadas, nos tornando frágeis.

Para fazer o reforço da nossa antifragilidade, a ideia é se jogar de cabeça em experiências fora da nossa zona de conforto que ativem nosso intelecto e nossos sistemas de sobrevivência. Ponto para os atletas radicais, empreendedores e desbravadores em geral. Da mesma maneira, o mundo todo precisa se mobilizar para ter maiores chances de sucesso dentro do paradigma VUCA. As pessoas, empresas e economias mais antifrágeis serão as de maior sucesso daqui para frente.

Ler uma obra tão bem pensada que defende e até ajuda a colocar em palavras uma ideia na qual você acredita é uma experiência sensacional. O livro faz exatamente isso discutindo a antifragilidade na educação onde, segundo Taleb, o sistema atual gera cidadãos frágeis na medida em que expõe todos os alunos a uma experiência de aprendizado padrão, com avaliações padronizadas e objetivos padronizados. Mesmo que todo mundo fosse capaz de se desenvolver com a mesma profundidade neste ambiente, o resultado para a sociedade ainda seria muito limitado em termos da diversidade de problemas que poderiam ser resolvidos pelos formandos.

No capítulo que correlaciona o conceito com educação, o autor aponta para o fato de que a educação auto guiada seria uma educação mais efetiva, citando exemplos de sua própria vida para exemplificar. Pessoas guiadas por interesses próprios aprenderiam a fazer mais e melhor que pessoas forçadas a seguir os caminhos estruturados das escolas. Alunos guiados por notas tenderiam a ter um desempenho inferior na vida real, onde os objetivos são menos claros. E para fechar, escolas apresentam um viés de seleção, onde alunos são recompensados por jogar o jogo da nota, não por aprender mais ou desenvolver seus interesses.

Em nosso mundo atual temos um crescente de mentes brilhantes produzindo conhecimento e novas maneiras de fazer, e a cada dia fica um pouco mais difícil para uma massa padronizada explorar essa diversidade. Ferramentas que apoiem a expansão de horizontes e da capacidade de aprendizado serão muito úteis para viabilizar indivíduos cada vez mais capacitados em domínios múltiplos, transformando eventos e volatilidade em novas capacidades e reduzindo seus efeitos negativos.

Pessoas com múltiplas habilidades também se aproveitariam de uma capacidade maior de se colocar no mercado de trabalho, sempre buscando aqueles trabalhos com a demanda mais interessante pelas suas habilidades e correndo menos risco de ficarem desempregadas caso a demanda por uma de suas habilidades oscile.

Do ponto de vista corporativo, contar com pessoas capazes de desempenhar diferentes tipos de tarefas sem perda de produtividade seria uma vantagem estratégica sensacional, dado que a demanda por trabalho varia em função da sempre variável demanda por produtos e serviços. Conseguir realocar sua mão de obra sem grandes problemas permitiria uma gestão de custos muito mais eficiente, produtos mais baratos e até trabalhadores mais satisfeitos e engajados.

No nível ainda mais macro, uma economia em que pessoas e empresas tenham uma capacidade de realocar sua força produtiva mais facilmente sofrerá menos com recessões. Imagine poder trabalhar em profissões que exijam esforço físico por uma parte do tempo, e em atividades mais técnicas ou criativas uma outra parte, dependendo da demanda específica daquela semana. Poder trabalhar em um projeto de construção às terças e quintas, e como cientista de dados nos demais dias. Essa liberdade criaria uma economia muito mais forte e capaz de evoluir com a volatilidade por que esse cruzamento de experiências criaria trabalhadores muito mais produtivos.

Para viabilizar isso seria necessária uma grande reforma das leis trabalhistas, permitindo às pessoas terem mais de uma profissão, em mais de uma empresa, mas não custa sonhar. Essas reformas são necessárias e leis trabalhistas em geral aumentam a fragilidade de empresas pois reduzem sua capacidade de lidar com volatilidade, além de forçar um aumento de despesas sem a contraparte de aumento de receitas.

Ler a obra de Taleb foi uma oportunidade incrível de reflexão e todas as pessoas interessadas em se desenvolver e em melhorar deveriam checá-la. Também convido você a descobrir como YggBoard te ajuda a desenvolver múltiplas habilidade e a encontrar os conteúdos que você precisa para ser mais antifrágil.

Confira aqui o livro

 

Sobre o autor

Eric Daniel Prando é administrador de empresas formado pela FGV-EAESP com MBA por Haas, escola de negócios da Universidade da Califórnia em Berkeley. Vidrado em organização humana e economia, é um dos fundadores de YggBoard e quer ajudar pessoas a maximizar sua vida. No seu tempo livre gosta de discutir e filosofar sobre os rumos da humanidade.

(Participamos do programa de afiliados da Livraria Cultura e poderemos receber comissões por livros vendidos)

 

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Adote um hobby e ajude a economia a funcionar melhor

Adote um hobby e ajude a economia a funcionar melhor

4 de setembro de 2017 por Eric Daniel Prando

Este Texto foi publicado originalmente no site Meio & Mensagem: http://www.meioemensagem.com.br/home/opiniao/2017/08/31/adote-um-hobby-e-ajude-a-economia-a-funcionar-melhor.html

 

Você possui um hobby? Gosta de gastar seu tempo livre com uma atividade que até poderia te render algum dinheiro, mas que faz por prazer e para relaxar? Pois saiba que esse tipo de atividade pode te ajudar a fazer da economia um sistema mais azeitado e até a economizar uns trocados.

O bom funcionamento de uma economia depende de alguns fatores, dos quais o bom funcionamento do sistema de formação de preços é um dos mais importantes. Explicando de maneira rápida, os preços podem ser formados de duas maneiras principais: de acordo com a aferição subjetiva de valor a bens e serviços pelos consumidores, ou pela formação de preço a partir dos custos de produção da empresa. O primeiro modelo serve para produtos diferenciados e o segundo serve para coisas mais comoditizadas e em mercados de concorrência perfeita.

O equilíbrio entre oferta e demanda tende a levar os preços mais próximos do segundo modelo de apreçamento, já que em mercados de livre concorrência preços altos induzem à entrada de novos competidores no mercado, forçando os preços para baixo. Este movimento é importante pois induz à produção de bens e serviços até o limite de preço de seu custo marginal de produção, reduzindo seu custo para o consumidor e maximizando a quantidade de bens e serviços produzidos, o que aumenta a quantidade de trabalho e emprego na economia.

Para que exista esse alinhamento é importante que ambos os lados do jogo possuam um nível semelhante de informação sobre o mercado (ainda é impossível falar em informação perfeita, mas a internet nos permite cada vez mais sonhar com as possibilidades). Quanto melhor for a distribuição de informação, melhor o sistema de formação de preços consegue ser para regular este equilíbrio entre oferta e demanda.

Atualmente existe uma boa e talvez até crescente dose de assimetria de informações no mercado, e fica difícil esperar que o sistema de preços seja perfeito. Mas existe um jeito bastante prático de se reduzir a assimetria que talvez as pessoas não estejam se atentando, que é simplesmente adotar um hobby.

Quando uma pessoa adota um hobby ela ganha algumas informações econômicas importantes, como por exemplo quanto tempo e energia são gastos na realização de uma determinada tarefa, exatamente a base para a determinação dos preços dos bens ou serviços no segundo modelo de precificação apresentado. De posse dessa informação o hobista consegue avaliar se os preços praticados no mercado por determinado produto estão em um patamar justo. Na mesma lógica, quanto mais hobbies uma pessoa tiver, maior será sua capacidade de avaliação de preços no mercado. Com essa capacidade de avaliação, a pessoa ganha uma escolha, que é a decisão de comprar ou fazer por si mesmo.

Essa habilidade pessoal ainda tem um certo poder de spillover, que é um fenômeno de disseminação de informação e valor pelo mercado, e que ocorre quando essa pessoa discute os valores praticados no mercado com seus conhecidos, tendo como base sua experiência própria, algo como “Você pagou tudo isso? Eu faria esse trabalho por…”. A conclusão em um nível mais macro é que sociedades com maior nível de hobbies, ou seja, com mais pessoas resolvendo problemas por si só, são capazes de criar um sistema de preços mais eficiente.

Desenvolva seus hobbies, incentive pessoas a fazer o mesmo e troque informações. Isso permitirá a você ter uma capacidade crítica sobre o preço que é cobrado por produtos e serviços. Quanto mais você souber sobre o custo envolvido em cada tipo de atividade econômica, mais você conseguirá tomar decisões corretas e melhor será o desempenho econômico da sua região. Lembre-se que gastar menos por produtos e serviços te permite comprar mais coisas com o dinheiro economizado.

Vamos exemplificar o benefício: uma pessoa que cozinha sabe avaliar qual o prêmio está sendo cobrado por um restaurante em seus pratos e consegue fazer uma melhor escolha de restaurantes que oferecem um bom valor pelo serviço que prestam. Isso faz com que a demanda por restaurantes caros e sem qualidade diminua bastante. Uma pessoa que goste de mexer em motores sabe avaliar melhor o preço cobrado pela mão de obra de um mecânico em serviços específicos, o que faz com que mecânicos ruins percam clientes. Uma pessoa que goste de cultivar plantas, sabe comparar os preços de frutas e verduras que conhece a dificuldade de cultivar, reduzindo a capacidade de feirantes e mercados de cobrar preços sem fundamentos. Em todos esses casos, os indivíduos são mais capazes de decidir se querem adquirir determinado produto ou serviço ou se resolverão o problema por si mesmos.

Sabendo disso, nosso incentivo é para você adotar hobbies e começar a evoluir nossa economia, não pagar mais do que deveria por produtos e serviços e ajudar a escolher aqueles prestadores de serviço que realmente merecem o seu dinheiro. Desse jeito, acaba-se gerando empregos e estimulando a economia, tudo com base na meritocracia.

Sobre o autor

Eric Daniel Prando é administrador de empresas formado pela FGV-EAESP com MBA por Haas, escola de negócios da Universidade da Califórnia em Berkeley. Vidrado em organização humana e economia, é um dos fundadores de YggBoard e quer ajudar pessoas a maximizar seus resultados.

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A revolução na educação

A revolução na educação

31 de agosto de 2017 por Eric Daniel Prando

Imaginemos por alguns instantes o ser humano como o auge da evolução do mundo, um ente criativo e capaz de revolucionar o ambiente com sua iniciativa e sua mente. Este ser chegou ao ponto de criar máquinas que replicam partes da sua avançada consciência e usam essa capacidade para resolver uma diversidade de problemas. Este ser humano está para criar mais uma revolução, a do seu modo de aprender.

Uma peculiaridade do processo criativo por nós criado é que a cada nova solução novos obstáculos se materializam. O sentimento de empolgação com a inovação tecnológica e as extraordinárias possibilidades que dela se desdobram vem acompanhado de uma certa frustração pelo caminho que ainda precisamos trilhar. Ainda assim, o futuro aponta para a solução de problemas como a principal atividade econômica a ser realizada por humanos, em contrapartida às tarefas produtivas e automatizáveis do trabalho atual. Existe inclusive a sugestão por alguns autores1 da mudança da definição do trabalho, transformando a atividade diretamente em solução de problemas, no sentido mais amplo possível.

Muitas empresas já estão se ajustando para aumentar sua capacidade competitiva nesse cenário. O objetivo é transpor um cenário ditado por controle de custos e processos para outro onde o conhecimento técnico e habilidades comportamentais sirvam como base para que organizações desenvolvam respostas cada vez mais eficientes a problemas específicos, onde o contato com clientes e consumidores passa a ser o ponto inicial para o desenvolvimento das inovações mais relevantes.

O sucesso dessas novas formas de organização depende do sucesso da construção de uma cultura de trabalho diferente, menos hierarquizada e completamente dependente do trabalho em equipe e multidisciplinar. Os colaboradores deixam de ser funcionários com rotinas e atividades predeterminadas e passam a ter foco em fazer coisas acontecerem, quebrar algumas outras no processo e no final criar algo espetacular.

Aqui, cabe uma pausa e o desvio da nossa atenção para um ponto importantíssimo. Estas mudanças podem ser vistas como uma inovação disruptiva em modelo de negócios, algo extremamente valioso e tratado com muita atenção pelo mercado, dada sua capacidade de revirar todo um setor, como aconteceu no caso do Netflix e o aluguel de filmes ou do Uber e o transporte privado. Adicionalmente, neste caso específico, a inovação tem o potencial de impactar a economia como um todo. Reflexo dessa importância, um estudo recente realizado pela Deloitte sobre o futuro do trabalho2 mostra que 95% das empresas brasileiras julgam importante ou muito importante a discussão sobre a organização do futuro.

Logo, uma das grandes dúvidas atuais é como criar uma cultura corporativa orientada à solução de problemas, capaz de influenciar a força de trabalho atual e seus métodos já estabelecidos e, ao mesmo tempo, integrar a ela os profissionais entrando no mercado. Um elemento fundamental desta cultura envolve as lideranças corporativas e a criação de um ambiente de mudança, ao qual os profissionais mais jovens sejam rapidamente integrados e onde os profissionais mais seniores sejam incentivados a se reciclar. Talvez até mais importante, empresas de educação precisam ser capazes de formar e reciclar profissionais para esta nova realidade em larga escala. Estariam as instituições de ensino e seus métodos de ensino preparadas para esta monumental tarefa?

Para que os mercados sejam abastecidos com essas habilidades, novos modelos de educação precisarão ser criados. Um dos setores que sofreu a menor interferência da tecnologia nos modelos de negócios, a educação atual tem suas bases nos tempos da primeira revolução industrial, tendo sido influenciada por lógicas militares e de linha de montagem para a formação de indivíduos prontos para atuar em ambientes hierárquicos e lineares.

Exigir de alunos, nos dias de hoje, que tenham a mesma motivação para aprender os mesmos tópicos que todas as outras crianças de sua idade é um tiro na capacidade humana de exploração e a primeira pá de cal no enterro de sua curiosidade. O período escolar das pessoas na casa dos 30 anos já não foi um momento de alegria e busca por auto-desenvolvimento, mas sim uma obrigação onde a aula de educação física e o horário do lanche eram ansiosamente aguardados. Não podemos continuar neste caminho.

O que seria então esta revolução na educação? Muitas pessoas já trabalham nesta resposta e existem alguns grupos de pesquisa dedicados à criação do modelo do ensino do futuro, como a Future Ready e a AdvancEd, nos Estados Unidos. Até o Fórum Econômico Mundial tem interesse no assunto e publicou um relatório3 comentando sobre a grande necessidade de um modelo educacional que capacite a disrupção de habilidades pela qual os negócios passarão.

A nova realidade exige que as pessoas tenham um espectro maior de experiências e diversas formas de abordar uma situação. O interesse do aluno serve como catalisador de experiências educacionais. Tudo acontece de acordo com a vontade do aluno em aprender e se desenvolver. Também devemos levar em consideração o emprego no processo educacional de todas as facilidades propiciadas pelo nível tecnológico que alcançamos, como por exemplo a análise de dados em larga escala e a disponibilidade de informação em qualquer lugar a qualquer momento.

Adicionalmente, existe uma parte da educação que é padrão para todos, aquela que incentiva e desenvolve as capacidades básicas para o comportamento civil, e outra completamente específica, a ligada ao desenvolvimento das capacidades individuais e produtivas de cada um. Finalmente, a educação do futuro deveria capacitar as pessoas a lidar com a grande incerteza do mundo, ensinando conteúdos e habilidades interdisciplinares, comportamentais e cognitivas.

Resumindo, os principais itens da revolução educacional são: a flexibilização e auto direcionamento de grades e currículos; A desintermediação e gamificação do ensino; A utilização de tecnologia para a gestão do processo de aprendizado (ex: mecânicas auto adaptáveis) e; A criação de cursos interdisciplinares e de inteligência social.

Algumas iniciativas já estão criando modelos inovadores de ensino, e chegam ao ponto de abandonar até mesmo os diplomas e certificados, como é o caso da Singularity University, onde os alunos criam os próprios projetos de trabalho e criação, sendo apoiados pelos professores, que servem como referências e repositórios de conhecimento prontos para serem acessados.

O futuro da educação deve ser um de grande desestruturação e de maximização do potencial dos indivíduos. Precisaremos ainda avaliar a eficiência das novas ferramentas e modelos de educação visando sua potencialização, mas a certeza que temos é a de que o sucesso econômico de empresas e nações depende de conseguirmos criar gerações de solucionadores de problemas, muito mais do que de mantenedores de máquinas e eletrônicos.

Criamos YggBoard para permitir que os indivíduos tenham o controle de sua evolução, escolhendo quais os próximos passos a perseguir e quais os objetivos que pretendem alcançar. Desta maneira, cada pessoa pode escolher aprender as habilidades que quiser, na hora que quiser. Colocar o poder nas mãos dos alunos é uma das melhores maneiras de manter a chama da curiosidade acesa.

 

Referências:
1 – https://workfutures.io/human-intelligence-and-the-abundance-of-work-67f906440b44
2 – https://dupress.deloitte.com/dup-us-en/focus/human-capital-trends/2017/organization-of-the-future.html
3 – http://reports.weforum.org/future-of-jobs-2016/skills-stability/

 

Sobre o autor

Eric Daniel Prando é administrador de empresas formado pela FGV-EAESP com MBA por Haas, escola de negócios da Universidade da Califórnia em Berkeley. Vidrado em organização humana e economia, é um dos fundadores de YggBoard e quer ajudar pessoas a jogar melhor os jogos sérios da vida. Em dias frios como os de agora, ele gosta de fazer comida, interagir com a natureza e filosofar sobre os rumos da humanidade.

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Como maximizar seu salário e seu sucesso profissional

Como maximizar seu salário e seu sucesso profissional

21 de agosto de 2017 por Eric Daniel Prando

A esmagadora maioria das pessoas gostaria de conseguir uma remuneração maior pelo seu trabalho. É até meio óbvio, todas as pessoas gostariam de poder contar com mais recursos para realizar seus sonhos. Ainda assim, muitas pessoas não tem um direcionamento claro sobre como conseguir essa remuneração maior. Para essas pessoas o conceito de evolução profissional vem de cumprir com suas obrigações e esperar uma promoção. Ser um bom funcionário, diligente e comprometido é na verdade um requisito básico, e se você estiver confortável com sua posição é fácil para a empresa também ficar.

Na realidade, as empresas gostariam de remunerar funcionários de acordo com sua contribuição direta para a atividade da empresa. Idealmente um gestor deveria ser capaz de pagar as pessoas por cada tarefa realizada. Você constrói uma parede de 3 metros de largura por 2 de altura, ganha 100 reais, ou algo do tipo. Muitas atividades do setor de serviços são facilmente mensuráveis com este princípio e sua adoção ampla permitiria às empresas terem total controle sobre um de seus principais custos, ajustando-o de acordo com a demanda do mercado pelos seus produtos. A realidade é bastante mais complicada que isso.

Partindo deste princípio, o melhor jeito de melhorar seu potencial salarial seria realizando um número maior de tarefas ou realizando tarefas pelas quais a empresa está disposta a pagar mais por. Seu argumento pró aumento fica muito forte com base nessa demonstração de interesse, comprometimento e capacidade. Pense no aumento salarial da seguinte maneira: você contribui mais com a empresa e recebe mais por isso. Imagine que você trabalha para uma empresa de artefatos de madeira, onde você pode entregar para a empresa as seguintes opções, como produto do seu trabalho, 3 caixas de madeira ou 5 caixas de madeira, ou ainda 3 caixas de madeira ornamentada e envernizada. A pessoa que está adquirindo seus serviços com certeza pagaria mais pelas duas últimas opções.

Para chegar lá você precisa entender quais são as maneiras com as quais você pode contribuir, e buscar maneiras de fazer seu trabalho mais rapidamente e com mais qualidade. Adquirindo experiência nas suas atividades atuais você deve aprender naturalmente a realizar suas tarefas mais eficientemente, economizando tempo que poderá ser usado na realização de novas tarefas. Idealmente você deveria se transformar na grande referência dentro da empresa sobre aquilo que você faz, o que te capacita a transferir e multiplicar esse conhecimento, bem como supervisionar outros, e ambas atividades valem muito mais do que apenas realizar uma tarefa.

Você também pode buscar aumentar seu escopo de trabalho, aumentando seu nível de responsabilidade e agregando mais valor para sua área e sua empresa. Algumas empresas permitem e até encorajam que seus funcionários troquem de área e de função dentro da empresa, o que possibilita o desenvolvimento de novas habilidades e o conhecimento mais amplo do negócio da empresa. Até mesmo uma movimentação dentro da mesma área pode render experiências de aprendizado muito boas. Com base nessa expansão de capacidades você pode tentar unir conhecimentos e tarefas para agregar cada vez mais valor com seu trabalho.

Em qualquer destes casos, você precisará aprender a fazer coisas novas. Para aprender a fazer coisas novas, sempre existirá o potencial de estudo sobre como fazer essas coisas e dentro disso, da realização de cursos e participação de eventos. É muito importante saber se as habilidades que você vai desenvolver no curso são as habilidades que vão te ajudar a fazer seu trabalho atual ou aquela nova tarefa. Escolher o curso correto pode ser a diferença entre ser mais um generalista ou se tornar o grande especialista em um assunto dentro da empresa.

Com isso você consegue ir se tornando um profissional cada vez mais valioso para a empresa e ganha um poder de barganha muito bacana para negociar um salário melhor. Na pior das hipóteses você se torna um profissional mais cobiçado pelo mercado, e poderá buscar uma melhor remuneração em outras empresas.

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Crie seu planejamento de carreira e mire para o sucesso

Crie seu planejamento de carreira e mire para o sucesso

4 de agosto de 2017 por Equipe YggBoard

As pessoas se planejam, em maior ou menor grau, para a maioria das atividades que realizam. Sempre que arrumo minha cama, checo para ver qual seria o jeito mais rápido para ter o edredom cobrindo tudo de maneira a passar uma impressão de organização e para não gastar mais do que 15 segundos nessa tarefa. Meus sanduíches passam por uma breve fase de projeto e avaliação mental do sabor resultante da mistura ordenada dos diversos ingredientes disponíveis na cozinha. Viajar também é um exercício grande de planejamento, das roupas e pertences a serem levados até a organização das atividades e lugares a serem visitados.

O fato é que planejar nos ajuda a prever situações que precisaremos superar e assim atingir resultados com maior eficiência e qualidade. Mesmo assim, para uma das atividades onde gasta-se mais tempo e esforço, o trabalho, a quantidade de pessoas que se planeja é bastante baixa. Como pode ser que se planejar para obter um salário melhor, conseguir um trabalho mais realizador ou ser promovido mais rápido acaba ficando em segundo plano?

Talvez seja complicado demais, talvez custoso demais, talvez seja muito difícil se planejar num ambiente cada vez mais mutante, quem sabe você já tenha se planejado uma vez, mas perdeu o papel onde anotou tudo e o exercício não vingou ou ainda talvez você confie à empresa que trabalha a sua carreira.  Não importa a razão, fazer um planejamento agora é uma forma de se manter competitivo no mercado de trabalho e de maximizar seu potencial profissional.

Existem dois tipos tradicionais de plano de carreira, um no qual você é passivo e a empresa onde trabalha determina qual será sua evolução, e outro em que você constrói e se preocupa em fazer acontecer. No primeiro caso, você está sujeito às volatilidades do negócio e da estrutura da companhia para conseguir resultados, no segundo, você pode se frustrar por não encontrar empresas dispostas a bancar sua ambição. O que faz mais sentido é uma conjunção dessas modalidades, onde você interage com a companhia para criar um plano compartilhado, onde estejam alinhados os objetivos individuais e corporativos e onde a alocação de recursos para o desenvolvimento acaba sendo compartilhada também. Você consegue crescer e a empresa consegue manter seus talentos engajados e prontos para crescer com a ela.

O primeiro passo para criar um plano seria definir quais horizontes de tempo a considerar, ou seja, onde você quer chegar em um ano, dois anos, cinco anos? Caberia levar esse horizonte até dez ou quinze anos, mas de maneira mais generalista, dado que a economia está acelerando seu ritmo de mudança, fazendo com que um plano muito específico tenha chances reduzidas de sobrevivência.

Definido o horizonte de tempo, você deveria passar a selecionar quais objetivos pretende alcançar em cada ponto dele, pode ser um cargo, uma posição específica, um faturamento de empresa, número de subordinados… o que fizer sentido para você. Com isso, você pode começar a pesquisar quais são os requisitos e as necessidades de cada um desses seus objetivos, identificando especificamente cada demanda e comparando elas a você no estágio atual.

A partir das prováveis lacunas que existirão entre onde você quer chegar e onde está, a ideia é identificar maneiras de suprir as necessidades existentes, chegando ao ponto de ter uma pequena lista de coisas a fazer para cada ponto no seu horizonte de planejamento. Com essa lista fica fácil selecionar a experiência ou solução mais indicada para que você naquele momento específico, o que pode ser um curso, um livro, uma viagem internacional ou até mesmo uma conversa.

Agora que você já tem uma ideia sobre o que seria um bom plano de carreira, vamos explorar algumas opções de ferramentas que você pode usar para construir esse plano. Com certeza o processo todo passa por uma fase de pesquisa e algumas vezes inclui o apoio de profissionais especializados em recursos humanos e desenvolvimento profissional.

A opção preferida pela maioria das pessoas para seu planejamento de carreira é a busca na internet. Atualmente existem sites que focam em apresentar informações sobre salários em diferentes empresas, para regiões especificas e para os cargos que você busca. Alguns sites apresentam resultados em termos de quais níveis de educação são necessários para aquela vaga, como uma graduação ou um MBA, outros te informam sobre quanto tempo de experiência profissional você deveria ter antes de se candidatar a ela. Muitos blogs também se prontificam a escrever artigos para te oferecer dicas de como se portar em entrevistas, como fazer um plano de carreiras e mesmo o que significa ser um profissional X ou Y.

São muitas e valiosas informações que podem ser encontradas se você vasculhar cada site e cada oferta. No final você fica com várias ideias e pode se candidatar a várias posições fazendo essa busca. Ainda assim, talvez te falte um insight mais personalizado sobre como se tornar em um candidato realmente diferenciado e com grandes chances de sucesso. Quando você faz uma busca na internet você recebe resultados dos mais diversos tipos e precisa saber filtrar o que é relevante e útil. Seria bom você também criar algum tipo de anotação sobre o que fez e o que encontrou, dado que refazer o caminho pode ser árduo. A grande vantagem de fazer seu planejamento pela internet é que o custo dele é basicamente zero!

Uma segunda opção disponível é a de fazer um processo de planejamento com um coach profissional. Essa com certeza será a opção mais individualizada e específica de planejamento de carreira que você poderá fazer. Irá conversar com uma pessoa especializada em conhecer as demandas do mercado e em como fazer de você um profissional e uma pessoa melhor. Você passará por uma série de entrevistas, avaliações e testes de perfil, dos quais os mais famosos são o MBTI e o DISC, para descobrir quais são os seus drivers motivacionais, quais são suas competências e interesses. Com base nessas interações o profissional conseguirá construir um mapa de carreira bem ajustado às suas características pessoais e te entregará um guia com os principais pontos de atenção e dicas de desenvolvimento para que você atinja seus objetivos.

Esta opção mais será bem personalizada e alinhada a seu perfil comportamental, podendo inclusive abordar quais as indústrias e empresas específicas que buscam pessoas com seu perfil. Para fazer este trabalho você deverá desembolsar algo entre 200-500 reais por hora e terá um ótimo guia sobre o que fazer para atingir seus objetivos. Você também pode realizar encontros regulares e manter sempre em dia sua estratégia de sucesso.

Se você não dispõe da renda para pagar um processo de coaching, ou não tem paciência para ficar vasculhando a internet atrás de informações desconexas, então YggBoard foi criado para você. YggBoard é uma ferramenta que te permite fazer sua gestão de habilidades, entendendo qual a demanda do mercado por aquilo que você já sabe fazer e aprendendo sobre qual o melhor caminho para se tornar um profissional mais competitivo. YggBoard te permite fazer uma auto-avaliação das suas competências, e com ela explorar as carreiras mais alinhadas a seu perfil, por meio das nossas sugestões de objetivos. Você também consegue explorar nossa base com as vagas mais interessantes do mercado de trabalho e entende rapidamente quais as atividades que precisará realizar e quais habilidades ainda precisa desenvolver para poder ocupar aquela posição.

YggBoard está sempre a sua mão e é facilmente ajustável, se você quiser mudar seus planos, é só substituir seus objetivos selecionados que a plataforma se encarrega de atualizar as sugestões de caminhos. Finalmente, temos uma base enorme de recursos que você pode usar para se desenvolver e aprender novas habilidades, curados especificamente para a sua necessidade individual.

A melhor parte de tudo é que YggBoard é de graça e continuará sendo para sempre! Então por que você não se antecipa ao mundo e começa a planejar sua carreira com a tecnologia mais disruptiva do mundo no setor? Planejar sua carreira é o primeiro passo para você ficar à frente da concorrência e conseguir atingir seus objetivos, então junte-se à revolução e descubra como planejar sua carreira ficou mais fácil do que nunca.

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