Blog

Os limões do mercado de trabalho e o valor do salário

Os limões do mercado de trabalho e o valor do salário

27 de novembro de 2017 por Eric Daniel Prando

George Akerlof ficou conhecido pela sua publicação sobre o problema dos limões, que basicamente explica como a assimetria de informação tem um efeito negativo no mercado. Seu texto gira em torno da noção de que a incerteza com relação à qualidade de um bem tende a fazer com que o preço de mercado desse bem seja mais baixo.

A situação é exemplificada com uma compra de carro usado, onde um comprador leigo pode comprar carros em bom ou em mal estado. Sem conhecimento mecânico suficiente para avaliar quais dos carros estão em bom estado, o comprador acaba atribuindo a todos os carros um valor médio entre o de um carro bom e um ruim e este passa a ser seu limite de preço. Este limite faz com que os vendedores, por sua vez, retirem os melhores carros daquela loja, dado que seu valor é maior que o limite de preço dos clientes. Sem os carros bons, a percepção de valor médio passa a ser menor ainda, forçando o valor dos carros da loja para baixo em um círculo vicioso. A saída óbvia seria conseguir repassar a informação correta sobre a qualidade de cada carro a cada comprador, eliminando a assimetria de informação.

A conclusão do artigo é que a diferença de qualidade de produtos reduz seu preço médio final, o que é válido e explica a grande energia gasta por montadoras e outras empresas em seus processos de garantia de qualidade. Quanto maior a quantidade de defeitos que saem da linha de montagem, menor terá que ser o preço médio cobrado por cada carro.

Se diferenças de nível de informação afetam preços, podemos fazer uma apropriação do conceito para avaliar o nível dos salários no mercado de trabalho, e dizer que a assimetria de informação sobre a capacidade dos trabalhadores reduz os salários médios, pois tendem a uma média com base no desempenho médio e desestimulam a alta produtividade daqueles trabalhadores que sabem render mais que essa média. Temos que fazer um pequeno esforço para considerar o trabalho de pessoas como produtos, mas é exatamente essa relação que existe, sendo que o trabalho é um serviço que as empresas compram com o salário que pagam.

No mercado de trabalho isso funcionaria com o seguinte exemplo: dois profissionais buscam o mesmo trabalho, ambos se formaram na mesma faculdade, um era um aluno dedicado que aprendeu bastante e o outro acabou sendo aprovado sem ter desenvolvido muitas novas habilidades. Obviamente que do ponto de vista do empregador o aluno mais capacitado seria preferível, mas só quem possui essa informação são os próprios profissionais. Caso a empresa contrate o mau aluno, as chances de ele não corresponder às expectativas do cargo são maiores, e isso faria com que a empresa percebesse um valor menor no trabalho deste tipo de profissional e reduzisse o salário ofertado para as próximas contratações dele. Ou seja, aquele seu amigo que sempre te pedia uma ajuda na prova acaba tendo um efeito negativo no seu salário.

O mercado de trabalho possui algumas ferramentas para reduzir a assimetria de informação sobre quais são as reais habilidades de cada candidato a uma vaga de trabalho, como a entrevista de emprego, a análise de currículo e busca de referências. Estas maneiras de se buscar informação sobre profissionais são limitadas e caras, sendo uma das mais baratas para empresas a avaliação educacional do profissional, onde escolas melhores emprestam uma capacidade média maior aos profissionais. Ainda assim, a assimetria é bastante presente, sendo que mesmo profissionais oriundos de escolas prestigiadas apresentam um rendimento bastante variado.

Uma ferramenta capaz de mitigar essa situação são as certificações profissionais, que tendem a nivelar o conhecimento e muitas vezes o grau de esforço daqueles que as possuem, dada a dificuldade e complexidade associadas à sua obtenção. Certificações profissionais padronizam o mercado de trabalho, tem o efeito de reduzir a ocorrência de limões e consequentemente trazem o salário médio dos profissionais para cima.

Dentre as certificações mais prestigiadas estão o CFA, a OAB, CAIA, CFP. Todas essas certificações abordam uma extensa lista de habilidades necessárias a profissões de elevado nível técnico, e por isso acabam sendo muito bem remuneradas no mercado (nos EUA, onde a informação salarial é mais fácil de se obter, um profissional com CFA ganha entre US$ 45 mil e US$ 165 mil anuais). Quanto mais difícil de se obter uma certificação, mais eficiente será o filtro que ela representa e melhor ela será avaliada pelos empregadores, aumentando o impacto sobre o potencial salarial de seus detentores.

Outra certificação vigente é o carimbo de qualidade de instituições respeitadas, onde profissionais que trabalharam em multinacionais ou em empresas de referência em seus setores acabam adquirindo um selo de qualidade por ter conseguido produzir naquele ambiente de alto nível. Da mesma maneira, conseguir uma certificação de uma instituição de ensino respeitada significa ter superado um elevado grau de exigência intelectual, e certificações de instituições menos conhecidas exigirão um esforço maior por parte dos profissionais para provar seu valor.

Do ponto de vista econômico, quanto melhor for a informação disponível sobre as habilidades de um profissional, melhor será o processo de compra de trabalho, com efeitos positivos no nível salarial médio das pessoas. Sendo assim, profissionais de sucesso devem buscar aumentar a disponibilização de informações sobre suas capacidades, através de cursos, certificações e recomendações de outros profissionais, e podem até afirmar que fazer isso ajuda até aos demais profissionais do mercado.

Ver mais
A tomada de decisão baseada em dados está mudando o trabalho de recursos humanos

A tomada de decisão baseada em dados está mudando o trabalho de recursos humanos

8 de novembro de 2017 por Eric Daniel Prando

Já está se tornando uma cena recorrente: a tecnologia entra em um departamento corporativo, faz reféns de todos os profissionais e obriga uma revisão completa de todos os processos, tendo como grande objetivo se inserir cada vez mais profundamente nas atividades produtivas humanas. A este rol de áreas que são completamente chacoalhadas pelo ingresso de informação e automatização, o futuro próximo guarda um espaço para a área de recursos humanos.

Atualmente a área de recursos humanos é dominada por profissionais de viés humanista, com uma sensibilidade apurada e grande capacidade intuitiva e de relacionamento. Este perfil da área de RH deverá sofrer uma grande mudança, a exemplo do que aconteceu com a área de marketing nos últimos 10 anos.  Ocorrerá a inundação das atividades por uma infinidade de dados que afetarão profundamente a tomada de decisão, e por profissionais de perfil muito mais analítico e quantitativo.

Diversas plataformas e serviços já foram criados para coletar dados sobre o dia a dia e o desempenho dos colaboradores das empresas, algumas dessas já se tornaram grandes empresas como a Success Factors, e outras estão em plena ascensão. Atualmente a grande discussão gira em torno de como utilizar toda essa massa de informações para apoiar a tomada de decisão, no que tem sido chamado de People Analytics.

A tomada de decisão embasada em dados é um movimento sem volta na realidade corporativa. Com o aumento do alcance da tecnologia na captação e tratamento de dados, é possível prever um futuro onde tudo é monitorado e transformado em dados para a geração de dashboards de controle do comportamento de todos os profissionais, com gráficos de propensão ao burn out, demissão ou projeções de desempenho acima da média. Imagine só receber um e-mail automático solicitando que você tire 3 dias de folga para realizar um curso específico de técnicas de liderança, dado que esta foi a conclusão do sistema de gestão de pessoas para maximizar seu desempenho e evitar um possível pedido de demissão. Este futuro não está tão longe.

Dado que a economia é composta basicamente de pessoas, nada mais natural do que a criação de ferramentas que fomentem o aumento da eficiência desses agentes. Quanto melhor analisado o trabalho de cada profissional, melhor será a capacidade da empresa de remunerar a sua produção e de incentivar sua performance, o que tem o efeito de otimizar custos corporativos. Isso significa que empresas que se adaptarem mais rapidamente à realidade de tomada de decisão de recursos humanos com base em dados terão uma grande vantagem competitiva.

A ideia de People analytics nasceu há um bom tempo atrás, quando empresas começaram a criar sistemas de informação sobre seus funcionários. O problema era o grau de complexidade de cada negócio e o custo de se implantar um sistema deste nível de complexidade. Mais recentemente, há cerca de 10 anos atrás, empresas começaram a encontrar uso para toda a informação gerada pelos sistemas de recursos humanos, o Google, por exemplo, começou a utilizar dados para fazer a tomada de decisões de recrutamento e seleção mais assertivas. A ideia do Big Data e a inspiração no filme Moneyball fizeram com que as discussões ganhassem força e hoje já é possível notar o avanço das análises e da capacidade de geração de informação de qualidade dentro das empresas mais avançadas.

As utilidades mais recentes de people analytics levaram empresas a concluir que é possível criar algoritmos preditivos de comportamentos e sua utilização para embasamento de decisões estratégicas e de planejamento. De assuntos como pacotes de remuneração para alta performance a prevenção de fraudes, a informação está revolucionando a gestão de pessoas. A transformação digital pela qual as empresas estão passando será viabilizada ou impedida pela capacidade de seus colaboradores, e por isso a importância de poder contar com ferramentas que apoiem a evolução dos colaboradores é essencial.

Ver mais
O nascimento do CLO e o futuro da educação no trabalho

O nascimento do CLO e o futuro da educação no trabalho

13 de outubro de 2017 por Eric Daniel Prando

Segundo um artigo da Harvard Business School1, apenas 20% da força de trabalho atual possui as habilidades necessárias para 60% das vagas de trabalho que existirão daqui a 5-10 anos. O que isto significa? Significa que a natureza do trabalho está mudando radicalmente, devido à crescente automatização e criação de demandas ligadas ao emprego da tecnologia nas atividades produtivas. Essa mudança também significa que a carreira de muita gente ficará com a carreira a perigo caso não se enquadre nesta nova realidade. O reflexo disto nas empresas é o aumento da importância das atividades de treinamento e educação para o sucesso de longo prazo dos modelos de negócio.

O aumento da complexidade do sistema econômico cria uma tendência de aumento da complexidade educacional, que está fazendo com que a estrutura tradicional de educação seja revista para acomodar um número crescente de profissões sem um padrão acadêmico definido, como por exemplo aquelas que misturam conhecimentos de finanças, marketing e tecnologia.

Muitos pesquisadores e instituições de ensino já trabalham estudando e criando soluções para esta nova realidade, como é o caso da Singularity University, onde os alunos não recebem títulos após sua formatura e onde os cursos não possuem créditos. Diversas plataforma estão sendo criadas para entregar um conteúdo educacional que esteja alinhado à novas necessidades dos profissionais.

Dentro deste cenário, nasceu um novo tipo de profissional nas empresas, que é a pessoa responsável pela educação e o desenvolvimento dos profissionais. Dentro da nomenclatura americana de nomes executivos, esse profissional se chama Chief Learning Officer, ou CLO. Esse profissional será fundamental para viabilizar a mudança de paradigma dentro de empresas que queiram se manter competitivas nos próximos anos.

Do ponto de vista econômico, o lado da oferta do mercado tem a somatória de tudo aquilo que seus agentes conseguem produzir, e se essa oferta não consegue acompanhar o ritmo de mudança da demanda, a ineficiência da educação e da evolução da produtividade terá um efeito de gargalo ao crescimento econômico. Existem vários agentes envolvidos nesta mudança, mas serão as próprias empresas os agentes responsáveis pela maior parte do esforço.

Em primeiro lugar, esta mudança afetará todos os profissionais, não apenas aqueles que estão sendo formados atualmente. A força de trabalho atual já sabe que precisará continuar estudando e se atualizando. É difícil se supor que todo o contingente profissional retornará para as escolas.

Outro argumento a favor do papel das empresas está no fato de que dificilmente existirão políticas públicas capazes de reciclar profissionais. Como exemplo, temos a questão dos cobradores de ônibus no Brasil, uma profissão completamente ultrapassada em outros países, mas que permanece forte no Brasil dado que o contingente de profissionais não seria facilmente absorvido por outros setores.

Sendo assim, caberá às empresas promoverem a mudança de capacidades de seus funcionários. Este processo deverá ser guiado por profissionais capazes de visualizar os destinos dos mercados em que atuam e de entender as competências necessárias ao sucesso nestes mercados. O papel dos CLOs será de extrema responsabilidade e importância em um futuro não muito distante.

  1. https://hbr.org/2016/09/the-solution-to-the-skills-gap-could-already-be-inside-your-company

 

Ver mais
Aprenda a ser antifrágil, e também o que isso significa

Aprenda a ser antifrágil, e também o que isso significa

21 de setembro de 2017 por Eric Daniel Prando

Este texto foi publicado originalmente no portal Mundo RH – http://www.mundorh.com.br/como-antifragilidade-pode-ajudar-voce-e-sua-empresa/

 

Uma das leituras mais provocativas dos últimos tempos, o novo livro do Nassim Nicholas Taleb, Antifrágil, é uma viagem sobre um conceito inovador e um manifesto sobre nossa missão de buscar ser antifrágeis na melhor das nossas capacidades.

Virou moda nos círculos econômicos discutir termos como VUCA – Volatility, Uncertainty, Compleity and Ambiguity – e afins, demonstrando o grande aumento da dificuldade de planejamento e de tomada de decisão. O conceito de antifragilidade seria uma grande resposta a este cenário cada vez mais mutante e pode ser aplicado a pessoas e organizações da mesma maneira.
Ser antifrágil significa que você não apenas sai ileso da ação de agentes estressores, mas na verdade se beneficia dessa ação, bem na linha daquele ditado “o que não te mata te faz mais forte”. O livro usa o corpo humano como um grande exemplo de antifragilidade e discorre sobre como devemos reforçar essa característica e não buscar uma vida cheia de rotina e sem aventura. Esta última nos levaria, no longo prazo, a uma incapacidade de lidar com situações aleatórias e inesperadas, nos tornando frágeis.

Para fazer o reforço da nossa antifragilidade, a ideia é se jogar de cabeça em experiências fora da nossa zona de conforto que ativem nosso intelecto e nossos sistemas de sobrevivência. Ponto para os atletas radicais, empreendedores e desbravadores em geral. Da mesma maneira, o mundo todo precisa se mobilizar para ter maiores chances de sucesso dentro do paradigma VUCA. As pessoas, empresas e economias mais antifrágeis serão as de maior sucesso daqui para frente.

Ler uma obra tão bem pensada que defende e até ajuda a colocar em palavras uma ideia na qual você acredita é uma experiência sensacional. O livro faz exatamente isso discutindo a antifragilidade na educação onde, segundo Taleb, o sistema atual gera cidadãos frágeis na medida em que expõe todos os alunos a uma experiência de aprendizado padrão, com avaliações padronizadas e objetivos padronizados. Mesmo que todo mundo fosse capaz de se desenvolver com a mesma profundidade neste ambiente, o resultado para a sociedade ainda seria muito limitado em termos da diversidade de problemas que poderiam ser resolvidos pelos formandos.

No capítulo que correlaciona o conceito com educação, o autor aponta para o fato de que a educação auto guiada seria uma educação mais efetiva, citando exemplos de sua própria vida para exemplificar. Pessoas guiadas por interesses próprios aprenderiam a fazer mais e melhor que pessoas forçadas a seguir os caminhos estruturados das escolas. Alunos guiados por notas tenderiam a ter um desempenho inferior na vida real, onde os objetivos são menos claros. E para fechar, escolas apresentam um viés de seleção, onde alunos são recompensados por jogar o jogo da nota, não por aprender mais ou desenvolver seus interesses.

Em nosso mundo atual temos um crescente de mentes brilhantes produzindo conhecimento e novas maneiras de fazer, e a cada dia fica um pouco mais difícil para uma massa padronizada explorar essa diversidade. Ferramentas que apoiem a expansão de horizontes e da capacidade de aprendizado serão muito úteis para viabilizar indivíduos cada vez mais capacitados em domínios múltiplos, transformando eventos e volatilidade em novas capacidades e reduzindo seus efeitos negativos.

Pessoas com múltiplas habilidades também se aproveitariam de uma capacidade maior de se colocar no mercado de trabalho, sempre buscando aqueles trabalhos com a demanda mais interessante pelas suas habilidades e correndo menos risco de ficarem desempregadas caso a demanda por uma de suas habilidades oscile.

Do ponto de vista corporativo, contar com pessoas capazes de desempenhar diferentes tipos de tarefas sem perda de produtividade seria uma vantagem estratégica sensacional, dado que a demanda por trabalho varia em função da sempre variável demanda por produtos e serviços. Conseguir realocar sua mão de obra sem grandes problemas permitiria uma gestão de custos muito mais eficiente, produtos mais baratos e até trabalhadores mais satisfeitos e engajados.

No nível ainda mais macro, uma economia em que pessoas e empresas tenham uma capacidade de realocar sua força produtiva mais facilmente sofrerá menos com recessões. Imagine poder trabalhar em profissões que exijam esforço físico por uma parte do tempo, e em atividades mais técnicas ou criativas uma outra parte, dependendo da demanda específica daquela semana. Poder trabalhar em um projeto de construção às terças e quintas, e como cientista de dados nos demais dias. Essa liberdade criaria uma economia muito mais forte e capaz de evoluir com a volatilidade por que esse cruzamento de experiências criaria trabalhadores muito mais produtivos.

Para viabilizar isso seria necessária uma grande reforma das leis trabalhistas, permitindo às pessoas terem mais de uma profissão, em mais de uma empresa, mas não custa sonhar. Essas reformas são necessárias e leis trabalhistas em geral aumentam a fragilidade de empresas pois reduzem sua capacidade de lidar com volatilidade, além de forçar um aumento de despesas sem a contraparte de aumento de receitas.

Ler a obra de Taleb foi uma oportunidade incrível de reflexão e todas as pessoas interessadas em se desenvolver e em melhorar deveriam checá-la. Também convido você a descobrir como YggBoard te ajuda a desenvolver múltiplas habilidade e a encontrar os conteúdos que você precisa para ser mais antifrágil.

Confira aqui o livro

 

Sobre o autor

Eric Daniel Prando é administrador de empresas formado pela FGV-EAESP com MBA por Haas, escola de negócios da Universidade da Califórnia em Berkeley. Vidrado em organização humana e economia, é um dos fundadores de YggBoard e quer ajudar pessoas a maximizar sua vida. No seu tempo livre gosta de discutir e filosofar sobre os rumos da humanidade.

(Participamos do programa de afiliados da Livraria Cultura e poderemos receber comissões por livros vendidos)

 

Ver mais
Adote um hobby e ajude a economia a funcionar melhor

Adote um hobby e ajude a economia a funcionar melhor

4 de setembro de 2017 por Eric Daniel Prando

Este Texto foi publicado originalmente no site Meio & Mensagem: http://www.meioemensagem.com.br/home/opiniao/2017/08/31/adote-um-hobby-e-ajude-a-economia-a-funcionar-melhor.html

 

Você possui um hobby? Gosta de gastar seu tempo livre com uma atividade que até poderia te render algum dinheiro, mas que faz por prazer e para relaxar? Pois saiba que esse tipo de atividade pode te ajudar a fazer da economia um sistema mais azeitado e até a economizar uns trocados.

O bom funcionamento de uma economia depende de alguns fatores, dos quais o bom funcionamento do sistema de formação de preços é um dos mais importantes. Explicando de maneira rápida, os preços podem ser formados de duas maneiras principais: de acordo com a aferição subjetiva de valor a bens e serviços pelos consumidores, ou pela formação de preço a partir dos custos de produção da empresa. O primeiro modelo serve para produtos diferenciados e o segundo serve para coisas mais comoditizadas e em mercados de concorrência perfeita.

O equilíbrio entre oferta e demanda tende a levar os preços mais próximos do segundo modelo de apreçamento, já que em mercados de livre concorrência preços altos induzem à entrada de novos competidores no mercado, forçando os preços para baixo. Este movimento é importante pois induz à produção de bens e serviços até o limite de preço de seu custo marginal de produção, reduzindo seu custo para o consumidor e maximizando a quantidade de bens e serviços produzidos, o que aumenta a quantidade de trabalho e emprego na economia.

Para que exista esse alinhamento é importante que ambos os lados do jogo possuam um nível semelhante de informação sobre o mercado (ainda é impossível falar em informação perfeita, mas a internet nos permite cada vez mais sonhar com as possibilidades). Quanto melhor for a distribuição de informação, melhor o sistema de formação de preços consegue ser para regular este equilíbrio entre oferta e demanda.

Atualmente existe uma boa e talvez até crescente dose de assimetria de informações no mercado, e fica difícil esperar que o sistema de preços seja perfeito. Mas existe um jeito bastante prático de se reduzir a assimetria que talvez as pessoas não estejam se atentando, que é simplesmente adotar um hobby.

Quando uma pessoa adota um hobby ela ganha algumas informações econômicas importantes, como por exemplo quanto tempo e energia são gastos na realização de uma determinada tarefa, exatamente a base para a determinação dos preços dos bens ou serviços no segundo modelo de precificação apresentado. De posse dessa informação o hobista consegue avaliar se os preços praticados no mercado por determinado produto estão em um patamar justo. Na mesma lógica, quanto mais hobbies uma pessoa tiver, maior será sua capacidade de avaliação de preços no mercado. Com essa capacidade de avaliação, a pessoa ganha uma escolha, que é a decisão de comprar ou fazer por si mesmo.

Essa habilidade pessoal ainda tem um certo poder de spillover, que é um fenômeno de disseminação de informação e valor pelo mercado, e que ocorre quando essa pessoa discute os valores praticados no mercado com seus conhecidos, tendo como base sua experiência própria, algo como “Você pagou tudo isso? Eu faria esse trabalho por…”. A conclusão em um nível mais macro é que sociedades com maior nível de hobbies, ou seja, com mais pessoas resolvendo problemas por si só, são capazes de criar um sistema de preços mais eficiente.

Desenvolva seus hobbies, incentive pessoas a fazer o mesmo e troque informações. Isso permitirá a você ter uma capacidade crítica sobre o preço que é cobrado por produtos e serviços. Quanto mais você souber sobre o custo envolvido em cada tipo de atividade econômica, mais você conseguirá tomar decisões corretas e melhor será o desempenho econômico da sua região. Lembre-se que gastar menos por produtos e serviços te permite comprar mais coisas com o dinheiro economizado.

Vamos exemplificar o benefício: uma pessoa que cozinha sabe avaliar qual o prêmio está sendo cobrado por um restaurante em seus pratos e consegue fazer uma melhor escolha de restaurantes que oferecem um bom valor pelo serviço que prestam. Isso faz com que a demanda por restaurantes caros e sem qualidade diminua bastante. Uma pessoa que goste de mexer em motores sabe avaliar melhor o preço cobrado pela mão de obra de um mecânico em serviços específicos, o que faz com que mecânicos ruins percam clientes. Uma pessoa que goste de cultivar plantas, sabe comparar os preços de frutas e verduras que conhece a dificuldade de cultivar, reduzindo a capacidade de feirantes e mercados de cobrar preços sem fundamentos. Em todos esses casos, os indivíduos são mais capazes de decidir se querem adquirir determinado produto ou serviço ou se resolverão o problema por si mesmos.

Sabendo disso, nosso incentivo é para você adotar hobbies e começar a evoluir nossa economia, não pagar mais do que deveria por produtos e serviços e ajudar a escolher aqueles prestadores de serviço que realmente merecem o seu dinheiro. Desse jeito, acaba-se gerando empregos e estimulando a economia, tudo com base na meritocracia.

Sobre o autor

Eric Daniel Prando é administrador de empresas formado pela FGV-EAESP com MBA por Haas, escola de negócios da Universidade da Califórnia em Berkeley. Vidrado em organização humana e economia, é um dos fundadores de YggBoard e quer ajudar pessoas a maximizar seus resultados.

Ver mais
A revolução na educação

A revolução na educação

31 de agosto de 2017 por Eric Daniel Prando

Imaginemos por alguns instantes o ser humano como o auge da evolução do mundo, um ente criativo e capaz de revolucionar o ambiente com sua iniciativa e sua mente. Este ser chegou ao ponto de criar máquinas que replicam partes da sua avançada consciência e usam essa capacidade para resolver uma diversidade de problemas. Este ser humano está para criar mais uma revolução, a do seu modo de aprender.

Uma peculiaridade do processo criativo por nós criado é que a cada nova solução novos obstáculos se materializam. O sentimento de empolgação com a inovação tecnológica e as extraordinárias possibilidades que dela se desdobram vem acompanhado de uma certa frustração pelo caminho que ainda precisamos trilhar. Ainda assim, o futuro aponta para a solução de problemas como a principal atividade econômica a ser realizada por humanos, em contrapartida às tarefas produtivas e automatizáveis do trabalho atual. Existe inclusive a sugestão por alguns autores1 da mudança da definição do trabalho, transformando a atividade diretamente em solução de problemas, no sentido mais amplo possível.

Muitas empresas já estão se ajustando para aumentar sua capacidade competitiva nesse cenário. O objetivo é transpor um cenário ditado por controle de custos e processos para outro onde o conhecimento técnico e habilidades comportamentais sirvam como base para que organizações desenvolvam respostas cada vez mais eficientes a problemas específicos, onde o contato com clientes e consumidores passa a ser o ponto inicial para o desenvolvimento das inovações mais relevantes.

O sucesso dessas novas formas de organização depende do sucesso da construção de uma cultura de trabalho diferente, menos hierarquizada e completamente dependente do trabalho em equipe e multidisciplinar. Os colaboradores deixam de ser funcionários com rotinas e atividades predeterminadas e passam a ter foco em fazer coisas acontecerem, quebrar algumas outras no processo e no final criar algo espetacular.

Aqui, cabe uma pausa e o desvio da nossa atenção para um ponto importantíssimo. Estas mudanças podem ser vistas como uma inovação disruptiva em modelo de negócios, algo extremamente valioso e tratado com muita atenção pelo mercado, dada sua capacidade de revirar todo um setor, como aconteceu no caso do Netflix e o aluguel de filmes ou do Uber e o transporte privado. Adicionalmente, neste caso específico, a inovação tem o potencial de impactar a economia como um todo. Reflexo dessa importância, um estudo recente realizado pela Deloitte sobre o futuro do trabalho2 mostra que 95% das empresas brasileiras julgam importante ou muito importante a discussão sobre a organização do futuro.

Logo, uma das grandes dúvidas atuais é como criar uma cultura corporativa orientada à solução de problemas, capaz de influenciar a força de trabalho atual e seus métodos já estabelecidos e, ao mesmo tempo, integrar a ela os profissionais entrando no mercado. Um elemento fundamental desta cultura envolve as lideranças corporativas e a criação de um ambiente de mudança, ao qual os profissionais mais jovens sejam rapidamente integrados e onde os profissionais mais seniores sejam incentivados a se reciclar. Talvez até mais importante, empresas de educação precisam ser capazes de formar e reciclar profissionais para esta nova realidade em larga escala. Estariam as instituições de ensino e seus métodos de ensino preparadas para esta monumental tarefa?

Para que os mercados sejam abastecidos com essas habilidades, novos modelos de educação precisarão ser criados. Um dos setores que sofreu a menor interferência da tecnologia nos modelos de negócios, a educação atual tem suas bases nos tempos da primeira revolução industrial, tendo sido influenciada por lógicas militares e de linha de montagem para a formação de indivíduos prontos para atuar em ambientes hierárquicos e lineares.

Exigir de alunos, nos dias de hoje, que tenham a mesma motivação para aprender os mesmos tópicos que todas as outras crianças de sua idade é um tiro na capacidade humana de exploração e a primeira pá de cal no enterro de sua curiosidade. O período escolar das pessoas na casa dos 30 anos já não foi um momento de alegria e busca por auto-desenvolvimento, mas sim uma obrigação onde a aula de educação física e o horário do lanche eram ansiosamente aguardados. Não podemos continuar neste caminho.

O que seria então esta revolução na educação? Muitas pessoas já trabalham nesta resposta e existem alguns grupos de pesquisa dedicados à criação do modelo do ensino do futuro, como a Future Ready e a AdvancEd, nos Estados Unidos. Até o Fórum Econômico Mundial tem interesse no assunto e publicou um relatório3 comentando sobre a grande necessidade de um modelo educacional que capacite a disrupção de habilidades pela qual os negócios passarão.

A nova realidade exige que as pessoas tenham um espectro maior de experiências e diversas formas de abordar uma situação. O interesse do aluno serve como catalisador de experiências educacionais. Tudo acontece de acordo com a vontade do aluno em aprender e se desenvolver. Também devemos levar em consideração o emprego no processo educacional de todas as facilidades propiciadas pelo nível tecnológico que alcançamos, como por exemplo a análise de dados em larga escala e a disponibilidade de informação em qualquer lugar a qualquer momento.

Adicionalmente, existe uma parte da educação que é padrão para todos, aquela que incentiva e desenvolve as capacidades básicas para o comportamento civil, e outra completamente específica, a ligada ao desenvolvimento das capacidades individuais e produtivas de cada um. Finalmente, a educação do futuro deveria capacitar as pessoas a lidar com a grande incerteza do mundo, ensinando conteúdos e habilidades interdisciplinares, comportamentais e cognitivas.

Resumindo, os principais itens da revolução educacional são: a flexibilização e auto direcionamento de grades e currículos; A desintermediação e gamificação do ensino; A utilização de tecnologia para a gestão do processo de aprendizado (ex: mecânicas auto adaptáveis) e; A criação de cursos interdisciplinares e de inteligência social.

Algumas iniciativas já estão criando modelos inovadores de ensino, e chegam ao ponto de abandonar até mesmo os diplomas e certificados, como é o caso da Singularity University, onde os alunos criam os próprios projetos de trabalho e criação, sendo apoiados pelos professores, que servem como referências e repositórios de conhecimento prontos para serem acessados.

O futuro da educação deve ser um de grande desestruturação e de maximização do potencial dos indivíduos. Precisaremos ainda avaliar a eficiência das novas ferramentas e modelos de educação visando sua potencialização, mas a certeza que temos é a de que o sucesso econômico de empresas e nações depende de conseguirmos criar gerações de solucionadores de problemas, muito mais do que de mantenedores de máquinas e eletrônicos.

Criamos YggBoard para permitir que os indivíduos tenham o controle de sua evolução, escolhendo quais os próximos passos a perseguir e quais os objetivos que pretendem alcançar. Desta maneira, cada pessoa pode escolher aprender as habilidades que quiser, na hora que quiser. Colocar o poder nas mãos dos alunos é uma das melhores maneiras de manter a chama da curiosidade acesa.

 

Referências:
1 – https://workfutures.io/human-intelligence-and-the-abundance-of-work-67f906440b44
2 – https://dupress.deloitte.com/dup-us-en/focus/human-capital-trends/2017/organization-of-the-future.html
3 – http://reports.weforum.org/future-of-jobs-2016/skills-stability/

 

Sobre o autor

Eric Daniel Prando é administrador de empresas formado pela FGV-EAESP com MBA por Haas, escola de negócios da Universidade da Califórnia em Berkeley. Vidrado em organização humana e economia, é um dos fundadores de YggBoard e quer ajudar pessoas a jogar melhor os jogos sérios da vida. Em dias frios como os de agora, ele gosta de fazer comida, interagir com a natureza e filosofar sobre os rumos da humanidade.

Ver mais
Como maximizar seu salário e seu sucesso profissional

Como maximizar seu salário e seu sucesso profissional

21 de agosto de 2017 por Eric Daniel Prando

A esmagadora maioria das pessoas gostaria de conseguir uma remuneração maior pelo seu trabalho. É até meio óbvio, todas as pessoas gostariam de poder contar com mais recursos para realizar seus sonhos. Ainda assim, muitas pessoas não tem um direcionamento claro sobre como conseguir essa remuneração maior. Para essas pessoas o conceito de evolução profissional vem de cumprir com suas obrigações e esperar uma promoção. Ser um bom funcionário, diligente e comprometido é na verdade um requisito básico, e se você estiver confortável com sua posição é fácil para a empresa também ficar.

Na realidade, as empresas gostariam de remunerar funcionários de acordo com sua contribuição direta para a atividade da empresa. Idealmente um gestor deveria ser capaz de pagar as pessoas por cada tarefa realizada. Você constrói uma parede de 3 metros de largura por 2 de altura, ganha 100 reais, ou algo do tipo. Muitas atividades do setor de serviços são facilmente mensuráveis com este princípio e sua adoção ampla permitiria às empresas terem total controle sobre um de seus principais custos, ajustando-o de acordo com a demanda do mercado pelos seus produtos. A realidade é bastante mais complicada que isso.

Partindo deste princípio, o melhor jeito de melhorar seu potencial salarial seria realizando um número maior de tarefas ou realizando tarefas pelas quais a empresa está disposta a pagar mais por. Seu argumento pró aumento fica muito forte com base nessa demonstração de interesse, comprometimento e capacidade. Pense no aumento salarial da seguinte maneira: você contribui mais com a empresa e recebe mais por isso. Imagine que você trabalha para uma empresa de artefatos de madeira, onde você pode entregar para a empresa as seguintes opções, como produto do seu trabalho, 3 caixas de madeira ou 5 caixas de madeira, ou ainda 3 caixas de madeira ornamentada e envernizada. A pessoa que está adquirindo seus serviços com certeza pagaria mais pelas duas últimas opções.

Para chegar lá você precisa entender quais são as maneiras com as quais você pode contribuir, e buscar maneiras de fazer seu trabalho mais rapidamente e com mais qualidade. Adquirindo experiência nas suas atividades atuais você deve aprender naturalmente a realizar suas tarefas mais eficientemente, economizando tempo que poderá ser usado na realização de novas tarefas. Idealmente você deveria se transformar na grande referência dentro da empresa sobre aquilo que você faz, o que te capacita a transferir e multiplicar esse conhecimento, bem como supervisionar outros, e ambas atividades valem muito mais do que apenas realizar uma tarefa.

Você também pode buscar aumentar seu escopo de trabalho, aumentando seu nível de responsabilidade e agregando mais valor para sua área e sua empresa. Algumas empresas permitem e até encorajam que seus funcionários troquem de área e de função dentro da empresa, o que possibilita o desenvolvimento de novas habilidades e o conhecimento mais amplo do negócio da empresa. Até mesmo uma movimentação dentro da mesma área pode render experiências de aprendizado muito boas. Com base nessa expansão de capacidades você pode tentar unir conhecimentos e tarefas para agregar cada vez mais valor com seu trabalho.

Em qualquer destes casos, você precisará aprender a fazer coisas novas. Para aprender a fazer coisas novas, sempre existirá o potencial de estudo sobre como fazer essas coisas e dentro disso, da realização de cursos e participação de eventos. É muito importante saber se as habilidades que você vai desenvolver no curso são as habilidades que vão te ajudar a fazer seu trabalho atual ou aquela nova tarefa. Escolher o curso correto pode ser a diferença entre ser mais um generalista ou se tornar o grande especialista em um assunto dentro da empresa.

Com isso você consegue ir se tornando um profissional cada vez mais valioso para a empresa e ganha um poder de barganha muito bacana para negociar um salário melhor. Na pior das hipóteses você se torna um profissional mais cobiçado pelo mercado, e poderá buscar uma melhor remuneração em outras empresas.

Ver mais
Crie seu planejamento de carreira e mire para o sucesso

Crie seu planejamento de carreira e mire para o sucesso

4 de agosto de 2017 por Equipe YggBoard

As pessoas se planejam, em maior ou menor grau, para a maioria das atividades que realizam. Sempre que arrumo minha cama, checo para ver qual seria o jeito mais rápido para ter o edredom cobrindo tudo de maneira a passar uma impressão de organização e para não gastar mais do que 15 segundos nessa tarefa. Meus sanduíches passam por uma breve fase de projeto e avaliação mental do sabor resultante da mistura ordenada dos diversos ingredientes disponíveis na cozinha. Viajar também é um exercício grande de planejamento, das roupas e pertences a serem levados até a organização das atividades e lugares a serem visitados.

O fato é que planejar nos ajuda a prever situações que precisaremos superar e assim atingir resultados com maior eficiência e qualidade. Mesmo assim, para uma das atividades onde gasta-se mais tempo e esforço, o trabalho, a quantidade de pessoas que se planeja é bastante baixa. Como pode ser que se planejar para obter um salário melhor, conseguir um trabalho mais realizador ou ser promovido mais rápido acaba ficando em segundo plano?

Talvez seja complicado demais, talvez custoso demais, talvez seja muito difícil se planejar num ambiente cada vez mais mutante, quem sabe você já tenha se planejado uma vez, mas perdeu o papel onde anotou tudo e o exercício não vingou ou ainda talvez você confie à empresa que trabalha a sua carreira.  Não importa a razão, fazer um planejamento agora é uma forma de se manter competitivo no mercado de trabalho e de maximizar seu potencial profissional.

Existem dois tipos tradicionais de plano de carreira, um no qual você é passivo e a empresa onde trabalha determina qual será sua evolução, e outro em que você constrói e se preocupa em fazer acontecer. No primeiro caso, você está sujeito às volatilidades do negócio e da estrutura da companhia para conseguir resultados, no segundo, você pode se frustrar por não encontrar empresas dispostas a bancar sua ambição. O que faz mais sentido é uma conjunção dessas modalidades, onde você interage com a companhia para criar um plano compartilhado, onde estejam alinhados os objetivos individuais e corporativos e onde a alocação de recursos para o desenvolvimento acaba sendo compartilhada também. Você consegue crescer e a empresa consegue manter seus talentos engajados e prontos para crescer com a ela.

O primeiro passo para criar um plano seria definir quais horizontes de tempo a considerar, ou seja, onde você quer chegar em um ano, dois anos, cinco anos? Caberia levar esse horizonte até dez ou quinze anos, mas de maneira mais generalista, dado que a economia está acelerando seu ritmo de mudança, fazendo com que um plano muito específico tenha chances reduzidas de sobrevivência.

Definido o horizonte de tempo, você deveria passar a selecionar quais objetivos pretende alcançar em cada ponto dele, pode ser um cargo, uma posição específica, um faturamento de empresa, número de subordinados… o que fizer sentido para você. Com isso, você pode começar a pesquisar quais são os requisitos e as necessidades de cada um desses seus objetivos, identificando especificamente cada demanda e comparando elas a você no estágio atual.

A partir das prováveis lacunas que existirão entre onde você quer chegar e onde está, a ideia é identificar maneiras de suprir as necessidades existentes, chegando ao ponto de ter uma pequena lista de coisas a fazer para cada ponto no seu horizonte de planejamento. Com essa lista fica fácil selecionar a experiência ou solução mais indicada para que você naquele momento específico, o que pode ser um curso, um livro, uma viagem internacional ou até mesmo uma conversa.

Agora que você já tem uma ideia sobre o que seria um bom plano de carreira, vamos explorar algumas opções de ferramentas que você pode usar para construir esse plano. Com certeza o processo todo passa por uma fase de pesquisa e algumas vezes inclui o apoio de profissionais especializados em recursos humanos e desenvolvimento profissional.

A opção preferida pela maioria das pessoas para seu planejamento de carreira é a busca na internet. Atualmente existem sites que focam em apresentar informações sobre salários em diferentes empresas, para regiões especificas e para os cargos que você busca. Alguns sites apresentam resultados em termos de quais níveis de educação são necessários para aquela vaga, como uma graduação ou um MBA, outros te informam sobre quanto tempo de experiência profissional você deveria ter antes de se candidatar a ela. Muitos blogs também se prontificam a escrever artigos para te oferecer dicas de como se portar em entrevistas, como fazer um plano de carreiras e mesmo o que significa ser um profissional X ou Y.

São muitas e valiosas informações que podem ser encontradas se você vasculhar cada site e cada oferta. No final você fica com várias ideias e pode se candidatar a várias posições fazendo essa busca. Ainda assim, talvez te falte um insight mais personalizado sobre como se tornar em um candidato realmente diferenciado e com grandes chances de sucesso. Quando você faz uma busca na internet você recebe resultados dos mais diversos tipos e precisa saber filtrar o que é relevante e útil. Seria bom você também criar algum tipo de anotação sobre o que fez e o que encontrou, dado que refazer o caminho pode ser árduo. A grande vantagem de fazer seu planejamento pela internet é que o custo dele é basicamente zero!

Uma segunda opção disponível é a de fazer um processo de planejamento com um coach profissional. Essa com certeza será a opção mais individualizada e específica de planejamento de carreira que você poderá fazer. Irá conversar com uma pessoa especializada em conhecer as demandas do mercado e em como fazer de você um profissional e uma pessoa melhor. Você passará por uma série de entrevistas, avaliações e testes de perfil, dos quais os mais famosos são o MBTI e o DISC, para descobrir quais são os seus drivers motivacionais, quais são suas competências e interesses. Com base nessas interações o profissional conseguirá construir um mapa de carreira bem ajustado às suas características pessoais e te entregará um guia com os principais pontos de atenção e dicas de desenvolvimento para que você atinja seus objetivos.

Esta opção mais será bem personalizada e alinhada a seu perfil comportamental, podendo inclusive abordar quais as indústrias e empresas específicas que buscam pessoas com seu perfil. Para fazer este trabalho você deverá desembolsar algo entre 200-500 reais por hora e terá um ótimo guia sobre o que fazer para atingir seus objetivos. Você também pode realizar encontros regulares e manter sempre em dia sua estratégia de sucesso.

Se você não dispõe da renda para pagar um processo de coaching, ou não tem paciência para ficar vasculhando a internet atrás de informações desconexas, então YggBoard foi criado para você. YggBoard é uma ferramenta que te permite fazer sua gestão de habilidades, entendendo qual a demanda do mercado por aquilo que você já sabe fazer e aprendendo sobre qual o melhor caminho para se tornar um profissional mais competitivo. YggBoard te permite fazer uma auto-avaliação das suas competências, e com ela explorar as carreiras mais alinhadas a seu perfil, por meio das nossas sugestões de objetivos. Você também consegue explorar nossa base com as vagas mais interessantes do mercado de trabalho e entende rapidamente quais as atividades que precisará realizar e quais habilidades ainda precisa desenvolver para poder ocupar aquela posição.

YggBoard está sempre a sua mão e é facilmente ajustável, se você quiser mudar seus planos, é só substituir seus objetivos selecionados que a plataforma se encarrega de atualizar as sugestões de caminhos. Finalmente, temos uma base enorme de recursos que você pode usar para se desenvolver e aprender novas habilidades, curados especificamente para a sua necessidade individual.

A melhor parte de tudo é que YggBoard é de graça e continuará sendo para sempre! Então por que você não se antecipa ao mundo e começa a planejar sua carreira com a tecnologia mais disruptiva do mundo no setor? Planejar sua carreira é o primeiro passo para você ficar à frente da concorrência e conseguir atingir seus objetivos, então junte-se à revolução e descubra como planejar sua carreira ficou mais fácil do que nunca.

Ver mais
Você sabe “jogar economia”? Pois deveria…

Você sabe “jogar economia”? Pois deveria…

26 de julho de 2017 por Eric Daniel Prando

Nossa vida em sociedade tem uma faceta não muito aparente, que é o fato de que jogamos jogos diariamente, e muitas vezes nem percebemos que os jogamos. Um jogo nada mais é do que uma situação combinada onde participantes tomam decisões e realizam ações com base em regras pré-determinadas.

Para deixar mais claro, futebol é um jogo pois consiste em duas equipes de 11 jogadores tomando decisões e realizando ações com o objetivo de projetar uma bola para dentro de um gol com seus pés. Truco é outro jogo, que consiste em duas ou mais pessoas usando uma de 3 cartas de sua mão para tentar ganhar uma rodada, o que acontece quando sua carta jogada possui um valor maior que as dos outros jogadores. Os jogos podem ser mais simples ou mais complexos, lícitos ou tácitos, mas são jogados recorrentemente.

Toda a organização humana não passa de um grande conjunto de jogos, dos quais vários são compulsórios. Logo no início da convivência em grupos, os humanos descobriram que eram necessárias regras para ditar a conduta individual e promover a coesão e a paz dentro do grupo. O conjunto de leis que cada país possui são as regras deste jogo. Cada grupo humano ao redor do planeta foi criando novas regras e mudando as antigas conforme se depararam com novas e diferentes situações ou devido a novos interesses presentes dentro deste grupo. A dialética desse processo nos trouxe, para o bem e para o mau, ao estágio atual da humanidade.

Um destes jogos da organização humana é a economia, que atualmente é jogada em nível global e define a capacidade da sociedade de suportar um número cada vez maior de pessoas.

De maneira geral, economia diz respeito ao conjunto de regras que ditam a relação entre pessoas produzindo bens e serviços e aquelas consumindo esta produção, visando à maximização destas atividades. Estas regras foram definidas com base na evolução histórica das boas práticas das pessoas responsáveis pela produção e troca de bens e serviços. Por mais que este jogo envolva a grande maioria das pessoas, são relativamente poucas as que conhecem essas regras.

O crescimento da literatura econômica, com a criação de diferentes visões e entendimentos sobre os fenômenos associados, afeta a capacidade de entendimento dos motivos básicos que levaram à criação da ciência econômica, e a realidade é mais simples do que se imagina. O conhecimento de algumas regras básicas ajudaria a todos os envolvidos neste jogo.

Uma destas regras, como na maioria dos casos, decorre da mais pura lógica: apenas pode ser consumido aquilo que já foi produzido. Com base neste princípio, uma pessoa produz bens ou serviços e pode oferece-los a outros indivíduos que tenham interesse em consumi-los, em troca por outros bens ou serviços ou em troca de dinheiro.

O dinheiro é uma ferramenta derivada da evolução econômica, um componente muito importante do jogo econômico que possui regras próprias de funcionamento e formidáveis utilidades. O dinheiro é capaz de se transformar em qualquer bem ou serviço, e qualquer bem pode ser transformado em dinheiro. Outra capacidade do dinheiro é a de reter seu valor, o que significa que você deveria conseguir trocar bens por dinheiro e depois de muito tempo destrocar essa mesma quantia pela mesma quantidade de bens originais. Sendo assim, o valor do dinheiro que uma pessoa possui deveria ter uma relação direta e constante com o valor dos bens e serviços que esta pessoa conseguiu oferecer ao mercado.

Neste ponto temos uma regra que já começa a complicar as coisas. Cada pessoa pode estar disposta a oferecer quantidades diferentes de dinheiro por diferentes bens e serviços. E isso é uma coisa ótima. Como eu não gosto de ouriço do mar, nunca resolveria gastar meu tempo e esforço tentando coletar alguns na praia para depois consumi-los, e isso significa que eu não estou disposto a trocar muito do meu dinheiro por eles também.

Partindo destes princípios, a regra do jogo econômico derivada é que a maneira de uma pessoa obter o máximo de bens e serviços é pela sua própria criação de bens e serviços, focada naquilo que a pessoa faz de melhor e naquilo pelo que outras pessoas estão dispostas a oferecer o máximo de dinheiro. Então temos que para conseguir o máximo de dinheiro, a pessoa precisa antes produzir o máximo e o melhor possível. Parece muito simples, mas a realidade econômica aponta para um enorme desrespeito da norma.

Se aplicarmos essa regra básica para a sociedade brasileira como um todo, temos que a maneira de se maximizar a quantidade de bens e serviços no país é através da maximização da produção destes bens e serviços, levando em consideração aquilo que as pessoas fazem de melhor e o que elas mais querem consumir. Então o melhor resultado possível viria de: ter o maior número possível de pessoas produzindo (cabe um artigo muito extenso apenas sobre este ponto para o Brasil de hoje), capacitar todas essas pessoas a produzir da melhor e mais eficiente maneira possível tudo aquilo pelo que o mercado global está disposto a pagar mais.

Este último ponto está intimamente ligado ao desenvolvimento das pessoas. Para fazer algo cada vez melhor, é necessário investir em aprender novas e melhores formas de trabalhar. Para produzir novas coisas, também é necessário aprender a fazer coisas novas e diferentes. A regra vale para qualquer escala, para uma pessoa ou para o mundo: se o objetivo é melhorar o resultado, o caminho é aprender a fazer melhor o que já é feito, ou aprender a fazer coisas novas e diferentes, que sejam mais interessantes para outras pessoas. Se todos soubessem dessa regra básica do jogo econômico, sem sombra de dúvidas todos teriam um resultado melhor.

A alternativa a saber se jogar o jogo é algo como jogar xadrez com alguém que não entende as regras. Cavalos voarão sobre o tabuleiro e morderão os bispos, torres se unirão e formarão bonitas paredes multicor, enquanto peões deslizarão felizes pelo centro do tabuleiro, como patinadores no gelo. Nenhum resultado será obtido e quem sabe jogar poderá ficar um bocado irritado. No caso real, não obter resultados significa deixar de produzir e trocar, o que tem um impacto muito grande na vida das pessoas, principalmente naquelas na base da pirâmide. Economia não é um jogo a ser levado na brincadeira.

Não conhecer a motivação das regras do jogo econômico leva algumas pessoas a tentar jogar se aproveitando de furos percebidos nas regras, mas esse tipo de comportamento, assim como blefes, leva a resultados voláteis e muitas vezes insustentáveis. Para a esmagadora maioria das pessoas o melhor resultado será obtido pelo entendimento e aplicação das regras básicas do jogo. Um grande exemplo disso, atualmente muitas pessoas buscam uma educação superior simplesmente pelo diploma, sem se importar em efetivamente aprender a produzir algo novo. Não é o diploma que faz a pessoa ganhar mais e o mercado logo vai descobrir que a pessoa não conseguirá entregar o valor esperado e ajustará sua remuneração a esta realidade.

Talvez esta seja uma simplificação grosseira, mas é importante conseguir ver a realidade das coisas através do véu de complexidade que nos é imposto. Como todos estão envolvidos neste jogo, o cenário ideal seria educar todas as pessoas a terem um conhecimento mínimo sobre como funciona a economia, melhorando o resultado do jogo para todos. Mas vamos um passo por vez. Agora que você já sabe, e se é que já não sabia, tente jogar economia partindo deste princípio, com certeza o seu resultado e sua vida serão muito melhores!

 

Sobre o autor

Eric Daniel Prando é administrador de empresas formado pela FGV-EAESP com MBA por Haas, escola de negócios da Universidade da Califórnia em Berkeley. Vidrado em organização humana e economia, é um dos fundadores de YggBoard e quer ajudar pessoas a maximizar seus resultados. Em dias mais frios como os atuais gosta de fazer comida, interagir com a natureza e filosofar sobre os rumos da humanidade.

Ver mais